Moraes rejeita pedido de avaliação médica de Bolsonaro às vésperas de uma possível ordem de prisão

Supremo começará a julgar na sexta-feira recurso do ex-presidente que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime fechado

06/11/2025 às 13h07
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Jair Bolsonaro - Reprodução: EPA/Shutterstock / BBC News Brasil
Jair Bolsonaro - Reprodução: EPA/Shutterstock / BBC News Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, rejeitou nesta quinta-feira (6) o pedido do Governo do Distrito Federal (GDF) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro fosse submetido a uma avaliação médica que determinasse sua aptidão para cumprir pena no sistema prisional do DF, como o Complexo da Papuda.

Moraes considerou o pedido, feito dois dias antes do julgamento do recurso de Bolsonaro, "ausente de pertinência" e determinou que ele fosse retirado do processo.

O Julgamento Iminente

Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão preventiva em casa, foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

  • Recurso em Pauta: A Primeira Turma do STF começa a julgar, nesta sexta-feira (7/11), o recurso da defesa do ex-presidente (embargos de declaração), que alega omissões e falta de provas na condenação.

  • Cenário de Prisão: Embora o placar provável seja de rejeição do recurso (4 a 0, sem a participação de Fux), o início da execução da pena (que pode levá-lo à Papuda) dependerá de Moraes e se o STF considerará futuros apelos como meramente protelatórios.

  • Outros Réus: A decisão também é crucial para outros seis réus condenados no mesmo processo, incluindo ex-ministros generais.

O que o GDF queria:

O GDF, liderado por um aliado de Bolsonaro, solicitava a avaliação médica citando a "proximidade do julgamento" e o histórico de saúde do ex-presidente, que já foi submetido a cirurgias abdominais e precisou de internação em setembro, mesmo em prisão domiciliar. O objetivo era checar se a Papuda teria condições de fornecer a assistência médica e nutricional compatível com o quadro clínico de Bolsonaro.

Argumentos da Defesa

No recurso, os advogados repetem as alegações de que:

  • Não há provas de sua participação em ações executórias do golpe.

  • A condenação foi baseada em delação premiada ilegal (Mauro Cid).

  • Seus direitos de defesa foram cerceados.

  • O ex-presidente não pode ser responsabilizado pelos atos de 8 de janeiro, pois estava fora do país.

O julgamento do recurso ocorrerá no plenário virtual e deve se estender até 14 de novembro. Após o esgotamento dos recursos, Moraes decidirá se Bolsonaro cumprirá a pena em casa ou em uma cela especial em presídio.

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