
A abertura da Cúpula do Clima em Belém (PA), nesta quinta-feira (6), que antecede a COP30, foi marcada por dificuldades logísticas e manifestações. Embora a capital paraense tenha se moldado para receber líderes globais, o acesso à "Zona Azul" do evento registrou falta de sinalização e congestionamento intenso.
Drones e Segurança Máxima:
A segurança foi reforçada com o uso de detectores de metais e uma operação de alta tecnologia contra drones não autorizados em áreas estratégicas. A Polícia Federal (PF) registrou 316 aeronaves remotamente pilotadas (ARPs) irregulares e mitigou 31 tentativas de sobrevoo. A pilotagem de drones é estritamente proibida nas proximidades da conferência.
Protesto na Porta:
O evento foi recebido com um protesto da Aliança dos Povos pelo Clima em frente à área restrita. Indígenas, que se sentiram excluídos, pediram "Financiamento direto para quem cuida da floresta".
"A gente está na Amazônia, um grande evento vai acontecer na Amazônia, mas os povos indígenas vão estar do lado de fora. E a gente está mesmo do lado de fora mostrando que nós estamos aqui", disse o líder indígena Walter Kumaruara.
A Agenda do Dia:
O presidente Lula iniciou a Plenária Geral, sendo o primeiro a discursar. A agenda também prevê falas de líderes da ONU, sociedade civil e chefes de nações em ordem alfabética, além do príncipe William do Reino Unido.
O "Elefante na Sala": O Petróleo na Foz do Amazonas
A Cúpula ocorre dias após o governo Lula liberar estudos para a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, tema que deve ser o ponto central de tensão. Lula defendeu a decisão, argumentando que o Brasil precisa de responsabilidade energética.
“Eu seria incoerente se, num ato de irresponsabilidade, dissesse: ‘nós não vamos utilizar mais petróleo’. Seria um ato de incoerência e irresponsabilidade, porque não sobreviveríamos sem isso,” reforçou o presidente.
Enquanto a queima de combustíveis fósseis é a maior fonte de emissão global (liderada por China, EUA e UE), no Brasil, a maior parte das emissões provém da mudança no uso do solo (desmatamento e agronegócio).