
Na abertura da Cúpula de Chefes de Estado da COP30, ocorrida em Belém (PA) nesta quinta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) posicionou a Amazônia como o foco central de sua mensagem. Ele defendeu que o encontro não deve se restringir à deliberação, mas sim impulsionar ações concretas e alcançar notoriedade mundial.
"Pela primeira vez na história, uma COP do Clima terá lugar no coração da Amazônia. No imaginário global, não há símbolo maior da causa ambiental do que a floresta amazônica. Aqui correm os milhares de rios e igarapés que conformam a maior bacia hidrográfica do planeta. Aqui habitam as milhares de espécies de plantas e animais que compõem o bioma mais diverso da Terra", disse. "A Amazônia para o mundo é como se fosse uma Bíblia, todo mundo sabe que existe, cada um interpreta da sua forma", acrescentou.
Em sua intervenção, o mandatário rememorou o contexto histórico do regime climático internacional, apresentou estatísticas e marcos globais, e chamou a atenção para a urgência de confrontar as disparidades entre promessas efetuadas e a sua real execução. Segundo ele, a COP30 precisa ser um momento de verificação de compromissos, de definição de trajetórias para o custeio de medidas climáticas e de adoção de providências para acelerar a transição energética, sem deixar qualquer nação em situação desfavorável.
"Mais de 250 mil pessoas poderão morrer ao ano com aquecimento global. Não podemos abandonar o objetivo do Acordo de Paris de aquecimento de 1,5°", destacou o presidente. "Nossas palavras aqui na Cúpula devem servir de bússola para as negociações técnicas. Nosso objetivo é enfrentar as divergências com essa cúpula de líderes em Belém."
Lula salientou ainda que o evento em Belém precisa significar uma mudança de rumo, abandonando as discussões meramente teóricas em favor de compromissos palpáveis. “COP 30 será a ‘COP da verdade’”, afirmou ele.
Ele insistiu na necessidade de os países mais desenvolvidos honrarem suas promessas e fornecerem apoio aos que mantêm a integridade das florestas tropicais. A realização da COP30 na cidade paraense, conforme o presidente, é também um alerta de que o debate climático não pode ser dissociado das populações, das matas e dos ecossistemas.
"Aqui [na Amazônia] residem milhões de pessoas, dezenas de povos indígenas, cujas vidas são atravessadas pelo falso dilema entre a prosperidade e a prevaricação. São elas que, diariamente, conjugam seus modos de vida e a busca legítima por uma existência digna com a missão vital de proteger um dos maiores patrimônios naturais da humanidade. Por isso, é justo que seja a vez dos Amazônidas de indagar o que tem sido feito pelo resto do mundo para evitar o colapso de sua casa", afirmou.