
O Senado norte-americano promulgou, na segunda-feira (10), um diploma legal destinado a encerrar o mais longo fechamento do governo na trajetória do país. Esse avanço só foi viável após um núcleo dissidente de parlamentares democratas se unir à bancada republicana, apoiando uma proposta orçamentária que excluiu a principal contrapartida que o partido de oposição vinha pleiteando por inúmeras semanas.
A contagem de votos, que resultou em 60 favoráveis e 40 contrários, no 41º dia da interrupção das atividades (shutdown), simbolizou o rompimento de um bloqueio que travou a máquina governamental por semanas a fio, deixando centenas de milhares de servidores públicos federais em licença compulsória e não remunerada. Além disso, milhões de cidadãos estavam sob o risco de perderem a assistência nutricional e muitos outros enfrentavam entraves em deslocamentos aéreos.
O projeto agora segue para a Câmara dos Representantes, onde a estreita vantagem da maioria republicana e a forte resistência democrata podem levar a uma deliberação apertada. A legislação não deve ser avaliada pelos deputados antes de quarta-feira (12), contudo, o Presidente Trump já comunicou que, se for chancelada, ele a ratificará.
A concretização desse desenlace ocorreu depois que oito membros da bancada democrata desobedeceram a oposição do próprio grupo político a essa proposta de financiamento que os republicanos tentavam aprovar por semanas com o objetivo de reativar o poder público.
Eles justificaram a decisão afirmando terem chegado à conclusão de que os oponentes jamais cederiam à exigência máxima dos democratas no debate sobre o encerramento do governo — a continuidade dos apoios financeiros federais para o cuidado com a saúde, que expirariam no final do ano vigente.
"Não tínhamos como avançar na questão da saúde porque os republicanos disseram: 'Não vamos discutir saúde com o governo paralisado'", disse o senador Tim Kaine, democrata da Virgínia.
O senador Kaine acrescentou: "E tínhamos beneficiários do SNAP (Programa de Assistência Nutricional Suplementar) e pessoas que dependiam de outros serviços essenciais que estavam perdendo seus benefícios por causa da paralisação."
Outras vozes criticaram que o ajuste era o equivalente a legitimar a plataforma e as manobras de Trump, quando os democratas deveriam, pelo contrário, estar opondo-se a ele e aos membros do Partido Republicano.
"Trump e os republicanos apoiadores de Trump vêm paralisando o governo desde o dia da posse, desmantelando o Medicare, o Medicaid e a Lei de Acesso à Saúde (Affordable Care Act) e promovendo o maior roubo na área da saúde da história — tudo para financiar cortes de impostos para bilionários CEOs", disse o senador Edward J. Markey, democrata de Massachusetts. "O povo americano quer que impeçamos o roubo, não que dirijamos o carro da fuga."
O acerto engloba uma estrutura de custeio que dará suporte financeiro ao governo até janeiro, assim como três outros projetos de lei de despesas separados para cobrir programas ligados à agricultura, obras militares e órgãos legislativos durante a maior parte de 2026.
O pacote ainda contém uma cláusula que reverteria as dispensas de servidores federais efetuadas durante o período de inatividade e garantiria o pagamento retroativo àqueles que foram obrigados à licença sem remuneração.
Trump declarou nesta segunda-feira que respeitará essas previsões.
"Vou cumprir o acordo", afirmou.
Contudo, a disputa está longe de sua conclusão. Tendo conseguido transformar os subsídios de saúde em um ponto focal político durante o fechamento governamental, os democratas buscam manter a pressão sobre os republicanos para que os prorroguem, evitando assim consequências negativas perante os eleitores que, de acordo com as pesquisas, desejam maior amparo.