
O ator Marcos Pasquim afirmou nesta terça-feira (2) que pretende casar e que acredita na monogamia. A declaração foi feita no Encontro com Patrícia Poeta, da TV Globo, após o programa exibir uma entrevista de 2015 em que ele dizia não acreditar nesse tipo de relação.
Confrontado com o vídeo antigo, Pasquim riu e disse ter mudado de ideia ao longo dos anos. “Eu acredito na monogamia, sim. Acho que hoje a gente precisa tentar manter a lealdade, tentar manter a monogamia o máximo possível. Tô namorando, pretendo casar”, afirmou. O ator disse que o amadurecimento foi decisivo. “A gente vai entendendo o que faz sentido, o que traz paz, o que fortalece as relações.”
Pasquim namora a produtora e atriz Karla Nogueira. O casal reatou o relacionamento iniciado nos anos 1990 e está junto desde 2021.

Monogamia é o modelo de relacionamento em que duas pessoas optam pela exclusividade afetiva e sexual. É a forma mais conhecida e é frequentemente chamada de “relação fechada”. Nesse acordo, a pessoa mantém apenas um parceiro por vez — durante toda a vida ou por um período.
Do ponto de vista histórico, a sociologia indica que a monogamia não surgiu por razões afetivas. Pesquisadores relacionam sua origem a interesses religiosos, econômicos e políticos que definiram regras de propriedade, herança e organização familiar.
O Código Penal brasileiro proíbe bigamia e poligamia. Por isso, o país adota o modelo monogâmico como norma legal. Culturalmente, a monogamia também é vista como a forma “correta” de união, o que não é exclusividade brasileira.
Há países em que a regra vale apenas para mulheres, permitindo múltiplas esposas aos homens. Em outros, o modelo tradicional estrutura a formação das famílias.
Mesmo com regras definidas, os conflitos começam no cotidiano. Especialistas chamam de “dupla moral” o comportamento de quem defende a monogamia publicamente, mas mantém relações paralelas. É o conhecido “por debaixo dos panos”.
Uma pesquisa realizada em 2022 pelo aplicativo Gleeden indica que 8 em cada 10 brasileiros já traíram em relações monogâmicas. Entre os 460 mil participantes, 91% dos homens e 88% das mulheres disseram já ter traído. O levantamento coloca o Brasil como o país mais infiel da América Latina.
Dados do IBGE mostram que a duração média dos casamentos entre heterossexuais caiu de 17,5 anos, em 2009, para 13,8 anos, em 2019. Atualmente, um em cada quatro casamentos termina em divórcio, tendo a infidelidade como principal causa.
Entre casais que vivem juntos sem casar, não há indicador oficial de separação, mas cresce o debate sobre novos acordos afetivos. A internet mostra essa mudança.
Segundo o Google Trends, o Brasil é o terceiro país que mais busca o termo “não-monogamia”, atrás de Austrália e Canadá. As buscas aumentaram 280% nos últimos dois anos. Entre as perguntas mais recorrentes estão: “O que é não-monogamia?”, “Como saber se sou não-monogâmico?” e “Como aceitar um relacionamento não monogâmico?”.
A ampliação do debate deu destaque ao poliamor, modelo em que todas as pessoas envolvidas concordam em incluir novos parceiros. O acordo deve se basear em ética, respeito e consentimento. Defensores afirmam ser possível manter vínculos afetivos com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.
A não-monogamia é um conceito mais amplo. Abrange desde relações abertas até formatos variados de vínculos sem exclusividade.
Já bigamia e poligamia envolvem decisões unilaterais. Em geral, uma pessoa quebra o acordo original e mantém vida afetiva ou sexual paralela sem consentimento — o que configura infidelidade, não poliamor.
A fala de Pasquim sobre lealdade e amadurecimento reacendeu o debate sobre expectativas e limites nas relações afetivas. Enquanto a monogamia permanece como padrão no país, dados mostram uma sociedade em busca de novos modelos — seja para reforçar acordos fechados, seja para discutir formas alternativas de convivência.