
O desentendimento entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o congressista federal André Fernandes (PL-CE) evidenciou, neste domingo, 30, um recente racha no interior do movimento bolsonarista nos estados. A antiga primeira-dama manifestou desaprovação à possibilidade de o PL respaldar a candidatura de Ciro Gomes, especulado para concorrer ao cargo de governador no Ceará, o que gerou reprovações dos herdeiros de Bolsonaro.
No cerne da disputa está André Fernandes, de 27 anos, o presidente regional do PL no Ceará. Natural de Iguatu, ele é descendente de Alcides Fernandes, um líder religioso da Assembleia de Deus. Com formação em Marketing e Ciência Política, ele ganhou notoriedade ao produzir materiais sobre temas políticos no YouTube. Em 2018, assumiu a função de deputado estadual. Quatro anos mais tarde, em 2022, foi eleito para o cargo de deputado federal.
A divergência surgiu após Michelle expressar apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE). Durante um evento realizado no Ceará, ela elogiou André, mas refutou a união com Ciro. "Adoro o André, estive em todos os Estados falando sobre ele, o Carmelo Neto e a esposa dele, que foi eleita. Sinto orgulho de vocês, mas firmar parceria com o sujeito [Ciro Gomes] que se opõe ao maior expoente da direita, isso não é admissível. Devemos nos mobilizar e trabalhar para eleger o Girão", declarou.
O parlamentar defende a coalizão, vista como tática devido à influência da base de Ciro na área.
Nas mídias sociais, os filhos de Jair Bolsonaro saíram em defesa de André. Eduardo escreveu que o deputado "não pode ser alvo de crítica por acatar o comando", enquanto Flávio afirmou que Michelle "se precipitou" ao se manifestar contra a determinação do ex-presidente. Carlos reforçou que o agrupamento deve se manter coeso e "respeitar a liderança" de Bolsonaro.

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