
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem comunicado a seus aliados que, independentemente do rumo que venha a adotar em 2026 — seja a busca pela recondução ao governo ou a concorrência presidencial —, ele não tem a intenção de trocar o Republicanos pelo Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro.
Pessoas próximas a Tarcísio mencionam uma "90% de chance" de o governador permanecer na agremiação. Liderada pelo deputado federal e bispo licenciado da Igreja Universal, Marcos Pereira (SP), a legenda já está se organizando com foco na disputa pela Presidência da República.
De acordo com fontes próximas, Tarcísio se sente satisfeito com o grupo político e avalia que possui autonomia de ação, uma condição que poderia não se confirmar no PL. Procurada, a equipe de comunicação do governador informou que ele continua filiado ao Republicanos. O partido de Pereira, por sua vez, não respondeu à solicitação. O espaço para a resposta permanece disponível.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, voltou a asseverar na semana passada que Tarcísio se filiará ao PL caso decida ser candidato a presidente. "Já me comunicou isso oficialmente. Agora, dependemos do Bolsonaro escolher quem é o candidato", disse o dirigente após um evento da sigla no Piauí.
Um membro influente do Centrão confirmou ao Estadão que o governador havia sinalizado que aceitaria a troca há cerca de três meses, mas alterou sua perspectiva e passou a indicar que prefere permanecer no Republicanos. Em aparições públicas, Tarcísio jamais demonstrou vontade de deixar o partido.
Para esse líder do Centrão, a decisão partidária apresenta aspectos positivos e negativos: manter-se no Republicanos facilita a captação de votos no segmento de centro do eleitorado, enquanto a mudança para o PL fortaleceria o laço com os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL).
Tarcísio e o PL possuem um histórico de atrito. No governo Dilma Rousseff (PT), o atual governador foi promovido a diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) e conduziu uma reestruturação na entidade, dispensando diversos servidores ligados ao partido de Valdemar. Na época, o PL estava à frente do Ministério dos Transportes, ao qual o DNIT era subordinado.
Além da inclinação pessoal, o governador tem recebido aconselhamento de especialistas em estratégia para evitar a "união" com o PL. A avaliação é que o PL adquiriu um perfil radical e, atualmente, carrega um alto índice de rejeição entre os eleitores. Principalmente se o plano for a concorrência presidencial, uma filiação poderia complicar a construção de uma plataforma mais moderada.
Segundo a pesquisa "A Cara da Democracia", o PL é hoje o segundo partido com maior rejeição no País, precedido apenas pelo PT. Entre os entrevistados que declaram não gostar de alguma organização partidária, 27% mencionam o PL e 50,8% citam o PT.
Apesar de liderar em antipatia, a agremiação do presidente Lula é a que congrega maior número de simpatizantes: 59,3% contra 19,6% do PL, considerando apenas o universo de votantes que declararam ter afinidade por algum partido. Ou seja, o PL possui mais "opositores" do que "admiradores". A análise ouviu 2500 mil pessoas entre 17 e 26 de outubro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.
Os apoiadores de Tarcísio favoráveis à adesão ao PL justificam que a mudança reforça que ele é o nome escolhido por Bolsonaro e facilita a campanha em torno do número de votação 22, amplamente conectado ao ex-presidente.
Eles recordam que 500 mil eleitores anularam seu voto ao digitar 22 na urna eletrônica para governador de São Paulo na última disputa. Esses votos foram invalidados porque o PL não tinha um concorrente para o cargo e estava apoiando Tarcísio. O receio é que o fenômeno se repita em maior escala em uma possível disputa contra Lula.
Embora não haja uma definição final, o Republicanos já trabalha com a possibilidade de lançar o governador ao Palácio do Planalto e, nos meses recentes, começou a preparar o cenário para o potencial empreendimento presidencial de Tarcísio.
O Republicanos formalizou a contratação da PLTK, uma empresa de comunicação política que tem como um de seus sócios o especialista em marketing Pablo Nobel, o qual foi o responsável pela campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo em 2022.
A agência fornecerá consultoria para o partido em sua totalidade. Pessoas próximas a Tarcísio afirmam que Pablo Nobel deverá liderar a campanha do governador em 2026, seja na busca pela reeleição em São Paulo, seja para uma candidatura à Presidência. Além da agência, o Republicanos tem encomendado estudos para identificar os pontos fortes e fracos do candidato.