
O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um discurso duro ao defender a soberania dos países europeus e o multilateralismo, em uma fala interpretada como uma indireta direta aos planos expansionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação à anexação da Groenlândia.
Segundo Macron, França e Europa estão “obviamente” comprometidas com a soberania e a independência nacionais, ressaltando que esses princípios são fundamentais para não “esquecer totalmente” as lições deixadas pela Segunda Guerra Mundial. Ele afirmou que esse compromisso explica a participação francesa em exercícios militares na Groenlândia, em apoio à Dinamarca, aliada europeia. “Sem ameaçar ninguém, apenas apoiando um aliado”, pontuou.
O líder francês foi enfático ao afirmar que “não é momento para imperialismos e colonialismos” e que a União Europeia não pode se curvar à “lei do mais forte”. Ao ampliar o discurso, Macron citou o cenário global de instabilidade e alertou para a banalização dos conflitos armados. Segundo ele, mais de 60 guerras ocorreram em 2024, um número recorde. Em tom irônico, arrancou risos da plateia ao comentar que “algumas delas foram manipuladas”.
BREAKING: In a stunning moment, French President Emmanuel Macron just delivered the most powerful rebuke of Donald Trump we've seen yet. This is incredible. pic.twitter.com/qSNFo5uVRB
— Democratic Wins Media (@DemocraticWins) January 20, 2026
No campo econômico, Macron elevou o tom ao criticar a postura dos Estados Unidos em negociações comerciais. Ele afirmou que a concorrência americana “prejudica nossos interesses de exportação, exige concessões máximas e visa enfraquecer e subordinar a Europa”. Para o presidente francês, o “acúmulo interminável de novas tarifas é fundamentalmente inaceitável” e tem sido usado como instrumento de pressão sobre a soberania territorial de outros países.
A fala ocorreu um dia após Trump ameaçar a França com uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A retaliação teria sido motivada pela recusa de Macron em integrar o recém-proposto Conselho da Paz, iniciativa do presidente norte-americano que pretende rivalizar com as Nações Unidas na mediação de conflitos globais.