Flávio Bolsonaro viaja até Israel em busca de apoio da direita internacional

A incursão internacional visa estreitar laços com o conservadorismo externo e solidificar sua imagem como o herdeiro político de Jair Bolsonaro

21/01/2026 às 11h50 Atualizada em 21/01/2026 às 11h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Flávio Bolsonaro - Reprodução: Saulo Cruz/Agência Senado
Flávio Bolsonaro - Reprodução: Saulo Cruz/Agência Senado

Em busca de apoio para seu projeto presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para Israel nesta terça-feira (20). A incursão internacional visa estreitar laços com o conservadorismo externo e solidificar sua imagem como o herdeiro político de Jair Bolsonaro.

A turnê, contudo, coloca em espera a estruturação interna de seu comitê eleitoral. Membros do Partido Liberal aguardavam para o final de janeiro a nomeação de figuras-chave, incluindo o estrategista de marketing e os chefes de coordenação, definições que agora só devem ocorrer após seu retorno.

Sob a organização de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, a comitiva passará ainda por Bahrein e Emirados Árabes, com retorno previsto para fevereiro. O grupo conta também com a presença do comunicador Paulo Figueiredo. Um dos pontos altos da agenda será um banquete oficial com o premiê Binyamin Netanyahu, agendado para o dia 26 de janeiro.

Segundo Figueiredo, a missão é sinalizar que uma futura administração liderada pelo clã Bolsonaro adotaria uma postura que é o "completo oposto" da atual política externa de Lula, que se tornou persona non grata em solo israelense após suas declarações sobre o conflito em Gaza.

"A ideia é ele se apresentar para lideranças internacionais, fortalecer as relações entre o Brasil e esses países, apontando uma direção diferente que ele defende para a diplomacia brasileira. Como senador, isso faz parte das atribuições dele. Tem muitas áreas de cooperação possíveis, inclusive na área de segurança, que é prioritária ao Flávio", diz Figueiredo.

Os irmãos brasileiros palestrarão na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo. O fórum reunirá expoentes da direita mundial, como Santiago Abascal (Vox), Sebastian Kurtz (Áustria) e Scott Morrison (Austrália).

No campo programático, Flávio pretende resgatar os acordos de tecnologia e defesa costurados por Eduardo em 2019. O discurso focará no combate ao radicalismo de grupos como Hamas e Hezbollah, utilizando essa retórica para fundamentar propostas de endurecimento penal no Brasil, visando enquadrar facções como o PCC e o Comando Vermelho na categoria de narcoterrorismo.

Montagem do Governo e Economia

Em recentes declarações ao canal de Figueiredo no YouTube, o pré-candidato revelou que aspira formar um gabinete "ainda melhor" que o de seu progenitor. Para o desenho da área econômica, ele conta com o aconselhamento de veteranos da gestão anterior, como Paulo Guedes, Gustavo Montezano e Adolfo Sachsida.

Quanto à composição da chapa e a escolha de um companheiro de trajetória, o senador mantém a cautela, condicionando a decisão ao calendário eleitoral:

"Depois da data de desincompatibilização, em 4 de abril, é que a gente vai ter um cenário real de quem vai ficar no governo e de quem vai sair do mandato para se candidatar a alguma outra coisa, (depois disso) é que a gente pode começar a trabalhar com nomes", disse em entrevista ao canal do YouTube Paulo Figueiredo Show.

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