
A trajetória de Matheus Moreira no Big Brother Brasil 26 transcendeu os limites do entretenimento televisivo e atingiu a esfera jurídica. O rapaz, que foi o segundo a deixar a casa, agora é alvo de uma representação oficial no Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A queixa, fundamentada em comportamentos interpretados como homofóbicos e transfóbicos durante o confinamento, foi apresentada pelo parlamentar Agripino Magalhães Júnior e já está sob análise da promotoria.
De acordo com o dossiê enviado à justiça — obtido em primeira mão pelo portal BacciNotícias —, o foco central são os eventos de 23 de janeiro de 2026. A denúncia sustenta que Matheus se valeu da audiência massiva da Rede Globo para propagar discursos de aversão e reproduzir trejeitos caricatos com o objetivo de ridicularizar a população LGBTQIA+.
O texto detalha que, durante uma atividade do reality, o competidor teria satirizado identidades de gênero e orientações sexuais. O documento jurídico enfatiza que o impacto negativo foi potencializado pelo alcance digital, criando um ambiente de escárnio público.
“A gravidade da conduta discriminatória por motivo de ódio é verificável pela repercussão altamente negativa na comunidade LBGTQI+ e nas redes sociais, estampando a humilhação coletiva como um dos principais assuntos da semana e assim estimulando o preconceito de gênero”, destaca o deputado na denúncia.
A base jurídica da acusação repousa na Lei 7.716/1989, que tipifica crimes de preconceito, abrangendo atualmente a homofobia e a transfobia. A peça cita o artigo 20-A, que agrava a punição em até 50% quando o delito acontece em ambientes de lazer. Além disso, evoca-se a injúria transfóbica, crime que, desde 2023, pode resultar em reclusão de dois a cinco anos e penalidade financeira.
Além da investigação criminal, o pedido ao MP solicita ações urgentes, como a remoção de trechos ofensivos das plataformas de transmissão e o bloqueio de perfis digitais que continuem a disseminar o conteúdo discriminatório.
A breve estadia do gaúcho no programa foi marcada por turbulências. Além do processo judicial, ele enfrentou resistência dentro da casa por atitudes lidas como machistas e pela manipulação de conversas. Para a acusação, o comportamento de Matheus reforça barreiras sociais que marginalizam grupos vulneráveis.
Na última terça-feira (27), Moreira encerrou sua participação no reality ao ser eliminado com 79,48% de rejeição em um paredão triplo contra Brigido Neto e Leandro Rocha.
Reforçando sua postura, o deputado Agripino Magalhães Júnior manifestou-se na internet:
“Não, não é compreensível que o que o participante Matheus Moreira, praticou! Da mesma forma forma como é compreensível imitar e chamar negros de “macaco” na TV e nos estádios…. Não é compreensível e PRECISA acabar! E é pra isso que eu luto todos os dias! Não diminua peso de algo que mata muitos de nós LGBTQIAPN +, todos os dias em nosso país”, publicou o deputado.