
As autoridades catarinenses estão estruturando uma operação estratégica para o desembarque de dois jovens suspeitos de tortuarem e matarem o cão Orelha, que atualmente estão de férias nos EUA. O objetivo é garantir a ordem no aeroporto durante o desembarque diante do clima de tensão.
A polícia demonstra inquietação com os protestos agendados para a recepção dos investigados. O receio é que o tumulto coloque em perigo os demais 113 adolescentes que integravam o mesmo grupo de viagem à Disney e que não possuem qualquer vínculo com o episódio.
O Delegado-geral Ulisses Gabriel detalhou a preocupação:
"Estão convocando manifestação para a questão do aeroporto. Isso nos preocupa. São 115 jovens que estarão lá e 113 não têm relação com o caso. Nos preocupa muito a situação de que alguém possa ser machucado por uma situação que envolve duas pessoas".
A logística de segurança deve unir esforços da Polícia Militar e dos agentes patrimoniais do aeroporto. Por questões estratégicas, o itinerário e o horário do pouso permanecem sob sigilo.
O caso desdobrou-se em duas frentes jurídicas: o ataque ao cão e a pressão ilegal sobre testemunhas. Esta última parte foi concluída recentemente, resultando no indiciamento de dois empresários e um advogado, todos familiares dos menores. As identidades são preservadas para não ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A força-tarefa examinou um volume colossal de dados:
Monitoramento: Mais de 1.000 horas de filmagens de 14 ângulos distintos.
Esclarecimento: A polícia ressalva que, apesar de boatos digitais, não existem imagens do instante exato da morte do animal.
Exposição indevida: Quem divulgou dados privados dos jovens será alvo de inquérito, conforme pontuou o delegado Pedro Mendes.
A violência contra o cão Orelh parece não ser um fato isolado na trajetória do grupo. Há registros de uma tentativa de afogamento contra outro animal de rua e diversos episódios de desrespeito a trabalhadores locais.
A delegada Mardjoli Adorian Valcareggi esclareceu a recorrência:
"Tem outros atos infracionais de ofensas a profissionais como porteiros, rondas e pessoas que trabalham na região. Teve situações envolvendo furtos e depredações de patrimônios. São vários atos conexos"
Recentemente, buscas foram efetuadas em Florianópolis contra os jovens que permaneceram no estado e um adulto suspeito de utilizar arma de fogo para intimidar terceiros. No total, quatro adolescentes são apontados como autores do maus-tratos e três adultos por coação.
Os jovens que retornam do exterior serão interrogados na próxima semana. Caso a culpa no falecimento do cão, carinhosamente chamado de Orelha, seja ratificada, eles serão processados por ato infracional, rito legal para menores de idade.
Orelha era um símbolo da Praia Brava, cuidado há uma década pela vizinhança. Após ser brutalmente espancado, o animal não resistiu aos traumas, mesmo após socorro veterinário. O crime gerou revolta e motivou passeatas por justiça lideradas pela Associação Praia Brava.