
No fim das contas, o "Melhores do ano" continua sendo aquele evento que a gente assiste já sabendo exatamente o que vai acontecer.
No palco do "Domingão", com Luciano Huck no comando, tem o glamour que toda grande premiação pede, mas falta o principal: surpresa.
A vitória de "Três Graças" é merecida, claro. A novela fez barulho, conquistou o público e entregou o que as últimas não haviam conseguido. Porém, nas demais categorias, muitas impulsionadas pelos fãs-clubes, quando o resultado veio, não empolgou. Foi como final de novela com spoiler. Uma "festa da firma", só que com câmera e figurino de gala.
Os momentos que realmente funcionaram foram justamente os que fugiram do roteiro. Uma piada mais afiada, uma fala que não estava combinada. E isso Paulo Vieira entregou com maestria, rindo, inclusive, da própria emissora. Nessas horas, o programa respirou. Pena que foram exceções.
No geral, ficou aquela sensação de déjà vu: os mesmos nomes circulando, indicados que parecem seguir a lógica de quem mais apareceu, e não de quem realmente merecia.
Talvez esteja na hora de mexer de verdade na estrutura. Trazer gente nova, mudar critérios.
No fim, pareceu mais uma comemoração interna. Uma promoção de conteúdos e profissionais que, apesar da evidência, não se destacaram como se pretendia. E, com isso, o público passa a não se ver mais parte da festa. Passa a não se sentir representado por aqueles que admirou, mas não foram lembrados.