“Ataque brutal”: tubarões salvam novo filme da Netflix

Apesar dos problemas, filme convence os amantes de suspenses banhados a sangue

12/04/2026 às 11h00 Atualizada em 12/04/2026 às 13h08
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação/Netflix
Foto: Divulgação/Netflix

“Ataque brutal”, novo suspense recém-chegado à Netflix, parte de uma ideia que, por si só, já chama atenção: um furacão devastador que transforma uma cidade costeira em um cenário inundado e, para piorar, tomado por tubarões. É o tipo de premissa que promete conflito do começo ao fim. Na prática, porém, o filme se perde em tropeços narrativos.

Dirigido por Tommy Wirkola, conhecido por equilibrar terror e humor em suas obras, o longa parece não decidir exatamente qual caminho seguir. Em alguns momentos, tenta construir um clima sério, com direito a discussões sobre a força da natureza. Em outros, abraça situações tão exageradas que beiram o absurdo. O resultado é um tom irregular, que pode causar mais estranhamento do que envolvimento.

A história acompanha diferentes indivíduos presos no meio do caos, incluindo uma mulher grávida, vivida por Phoebe Dynevor, e um cientista interpretado por Djimon Hounsou. A ideia de múltiplos pontos de vista poderia enriquecer a narrativa, mas acaba diluindo a tensão. O filme salta de um núcleo para outro, sem dar tempo para que o espectador realmente se conecte com alguém. Isso faz com que momentos intensos percam força.

Outro ponto discutível é a construção dos personagens. Muitas decisões parecem pouco naturais, afastando o público. Até há boas ideias, como explorar medos psicológicos em situações extremas e desvendar segredos que amenizam a culpa, mas elas são pouco aproveitadas e deixam a sensação de potencial desperdiçado.

Já na parte visual, a ambientação da cidade alagada só convence quem já aceita como real o uso de IA. Os cenários criam uma atmosfera sufocante, mas são facilmente reconhecidos como genéricos. Quanto aos tubarões, que deveriam ser a grande ameaça, nem sempre parecem tão assustadores. Falta impacto.

No fim das contas, “Ataque brutal” funciona melhor quando encarado sem grandes expectativas. Curto, é um filme que pode divertir quem procura ação para passar o tempo. Não é daqueles que ficam na cabeça depois dos créditos, nem tem essa pretensão, mas cumpre seu papel como entretenimento descompromissado. Se a proposta é conquistar os amantes de histórias caóticas, com cenas intensas banhadas a sangue, ele dá conta do recado.

 

Título original: Thrash
Direção:
Tommy Wirkola
Ano de lançamento:
2026
Onde assistir:
Netflix
Nota:
5,0

 

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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