
O "Big brother Brasil 26" terminou como começou: longo.
Longo no tempo — 100 dias não são pouca coisa —, nos discursos e na tentativa de transformar cada detalhe em um grande acontecimento. Só não foi longo em surpresas.
Havia uma sensação de déjà vu no ar. A cada VT, fala ensaiada e trilha crescente, parecia que o programa queria nos convencer de que estávamos diante de algo histórico. Mas o público, calejado, já havia entendido o roteiro. A final não coroou uma jornada imprevisível; apenas confirmou o que já vinha sendo desenhado há semanas.
E talvez tenha sido esse o maior problema: a previsibilidade. As provas, por exemplo, sempre muito parecidas, insistiram em um formato que favorecia mais os homens, seja pela exigência física, seja pela dinâmica pouco equilibrada. Em um jogo que se vende como social, faltou sensibilidade para nivelar o campo.
Também houve exagero onde não era necessário. O quarto branco, vendido como um elemento de tensão psicológica, acabou ultrapassando a linha do aceitável, foi chamado de tortura pela imprensa espanhola e frustrou o público que já não compra esse tipo de ideia com a mesma facilidade de antes.
E, no meio disso tudo, a condução de Tadeu Schmidt seguiu em tom quase permanente de exaltação. Elogios generosos, muitas vezes até quando os participantes escorregavam feio em atitudes que, aqui fora, foram vistas como graves. Criou-se um descompasso: enquanto o público julgava, o programa aplaudia.
No fim, foi isso: um grande espetáculo de si mesmo. Bem produzido, mas excessivamente preocupado em se vender como grandioso e "de colecionador". Faltou realismo no inesperado; sobrou esforço no discurso.
O "BBB 26" tentou parecer inabalável, abstraiu os erros da temporada passada, mas esqueceu que sua força sempre esteve no improviso do humano — aquele que não precisa de roteiro para surpreender.