Por que “Rivalidade ardente” virou a série mais indispensável do ano?

De Jacob Tierney, a produção canadense se rende ao sucesso e já prepara uma segunda temporada

25/05/2026 às 21h35 Atualizada em 28/05/2026 às 01h14
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação
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Há algo de especial em “Rivalidade ardente”, produção canadense disponível desde fevereiro no Brasil pela HBO Max, que vai além do romance secreto entre dois jogadores de hóquei ao longo de aproximadamente nove anos. Não é apenas sobre desejo. Nem sobre competição. É sobre silêncio. Sobre duas pessoas que aprenderam a existir de formas completamente diferentes e, ainda assim, encontram abrigo uma na outra.

Shane (Hudson Williams) ama como quem pede licença. Já Ilya (Connor Storrie), como quem invade a vida alheia sem saber o que fazer depois. E talvez seja exatamente isso que transforme os dois em algo tão hipnotizante e a série em um fenômeno recente da cultura pop impossível de ignorar.

Enquanto muitas histórias de amor vivem de grandes discursos e promessas, “Rivalidade ardente” encontra força nas pequenas contradições. Shane, astro do time Montreal Metros, é contido, quase sufocado pela necessidade de parecer perfeito. Já o russo Ilya, grande aposta do Boston Raiders, transforma sexo em fuga e ironia em armadura de defesa. Quando separados, parecem treinados para a vida que lhes permitiram ter. Quando juntos, são apenas dois garotos cansados de esconder o que sentem, ou pensam sentir, como se amar significasse culpa. Shane é o cuidado. Ilya, o desespero. Um oferece calma. O outro, intensidade. E nenhum deles sabe a fórmula exata para equilibrar essas duas medidas.

E é por isso que o público tanto se conectou. Porque, no fundo, a trama não discorre apenas sobre um romance censurado no universo machista dos esportes. Fala sobre a dificuldade de ser visto. Sobre o medo de decepcionar. Sobre a dor de não pertencer. Sobre adversários que foram ensinados a suportar o frio das pistas de gelo, mas não a lidar com o frio do abandono.

Ao longo de seis episódios, o criador da série, Jacob Tierney, baseado no livro de Rachel Reid, traduz de maneira humana a forma como os protagonistas se apoiam. Como se, a sós, finalmente pudessem respirar.

No fim, o sucesso de “Rivalidade ardente” não vem apenas das cenas íntimas, da química avassaladora entre os protagonistas ou das fanfics sustentadas pelas redes sociais. Vem do afeto, e não do gênero. Da sensação de assistir a duas pessoas tentando aprender a demonstrar seus sentimentos em um mundo que ainda não abre espaço para todas as formas de amor.

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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