Deolane guardava dinheiro do PCC em imóveis dos filhos, segundo investigação

A existência desses depósitos secretos veio à tona por meio de mensagens de voz encaminhadas pela própria advogada a uma ex-diarista

22/06/2026 às 09h43
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Agnews
Reprodução: Agnews

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) à Justiça indicam que a criadora de conteúdo, Deolane Bezerra, mantinha montantes de dinheiro pertencentes ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em residências de seus próprios filhos. A existência desses depósitos secretos veio à tona por meio de mensagens de voz encaminhadas pela própria advogada a uma ex-diarista.

Os áudios constam no veredito que colocou a famosa e outros cinco investigados no banco dos réus sob as acusações de integrar associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Os relatórios processuais detalham que Deolane funcionava como uma espécie de destinatária de repasses financeiros originados do tráfico de drogas da facção. O fluxo monetário utilizava a estrutura de uma transportadora de fachada, denominada Transportadora Lado a Lado.

O esquema começou a ser desmantelado depois que agentes públicos interceptaram bilhetes manuscritos na penitenciária de Presidente Venceslau, os quais expuseram as atividades ilegais iniciadas em 2019.

A rede criminosa se valia das contas bancárias sob a titularidade da influenciadora para escoar cifras que ultrapassaram a marca de R$ 27 milhões. Contudo, as análises fiscais apontaram que o volume transacionado era totalmente desproporcional ao poder aquisitivo que ela informava ao fisco.

O grupo recorria à estratégia de smurfing, que consiste em pulverizar o dinheiro em múltiplos depósitos de pequenos valores, para burlar a fiscalização e camuflar a procedência do capital. A Promotoria sustenta que a fama e o prestígio social de Deolane serviam como uma blindagem de aparente idoneidade para reinserir o dinheiro ilícito no mercado financeiro.

Os Delitos Atribuídos e as Penas Previstas

A influenciadora digital foi enquadrada nas seguintes infrações penais:

  • Organização Criminosa: Artigo 2º, caput, da Lei Federal nº 12.850/2013. Caso receba veredito condenatório por este item, a legislação estipula uma pena que varia de 3 a 8 anos de reclusão.

  • Lavagem de capitais: Artigo 1º, caput, §1º, inciso I e §4º, da Lei Federal nº 9.613/1998. Para a prática de lavagem de capitais, as sanções previstas em caso de condenação flutuam entre 3 e 10 anos de privação de liberdade.

Ambas as tipificações penais também sujeitam os envolvidos ao pagamento de multas.

O Rol de Denunciados

O Poder Judiciário acatou a peça acusatória do Ministério Público não apenas contra Deolane, mas também contra outros cinco implicados no caso:

  • Marco Willians Herbas Camacho (conhecido como Marcola, principal liderança da organização);

  • Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho do líder);

  • Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha do líder);

  • Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão do líder);

  • Everton de Souza, vulgo 'Player'.

O Posicionamento dos Representantes Legais

Os defensores de Deolane Bezerra confirmaram que foram notificados sobre a abertura da ação penal, ponderando que o recebimento da denúncia representa apenas a fase inicial do rito processual e não atesta qualquer culpabilidade.

Em comunicado oficial, os advogados reforçaram que a cliente é inocente, que todo o seu patrimônio advém de canais lícitos e que ela jamais possuiu amarras com redes criminosas, garantindo que apresentarão todos os elementos probatórios necessários para o esclarecimento definitivo do processo.

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