Zema mira segundo turno com 'união' da direita e é sincero sobre indicações ao STF

As considerações foram feitas durante uma entrevista conduzida pelo comunicador sul-mato-grossense Firmino Cortada, no programa Cortadas do Firmino, veiculado no sábado (20)

22/06/2026 às 13h08
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Gil Leonardi/Imprensa MG
Reprodução: Gil Leonardi/Imprensa MG

O postulante à Presidência da República pelo Partido Novo, Romeu Zema, externou suas impressões sobre os laços entre o parlamentar Flávio Bolsonaro e o operador financeiro Daniel Vorcaro. As considerações foram feitas durante uma entrevista conduzida pelo comunicador sul-mato-grossense Firmino Cortada, no programa Cortadas do Firmino, veiculado no sábado (20).

O político mineiro sustentou o posicionamento crítico adotado anteriormente a respeito da proximidade entre o congressista e o empresário. O mal-estar se acentuou após o vazamento de conversas e registros de áudio nos quais o filho de Jair Bolsonaro cobra aportes financeiros de Vorcaro com o objetivo de produzir a obra cinematográfica “Dark Horse”, que retrata a trajetória do antigo mandatário.

"O que falei, está falado. Falo que quem se aproxima de um bandido banqueiro igual esse não merece aplauso, merece repúdio. Esse banqueiro bandido mora em Belo Horizonte, aonde ele nasceu. Eu estou em Belo Horizonte há 8 anos. Adivinha quantas vezes eu encontrei com ele? Nunca!", disse Zema em entrevista ao Firmino Cortada.

A respeito do episódio, o senador fluminense admitiu ter solicitado os recursos por meio de uma gravação na internet, embora repudie qualquer ilegalidade. Paralelamente, o proprietário do Banco Master encontra-se detido em solo paulista, sob a suspeita da Polícia Federal de chefiar uma estrutura de fraudes que gerou prejuízos estimados em R$ 12 bilhões.

Posicionamento Ideológico e Bastidores com a Família Bolsonaro

Indagado sobre seu quadrante ideológico, o ex-governador ratificou sua identidade de direita, mas posicionou-se também como uma via alternativa de centro. Ele sinalizou que as forças conservadoras passarão por um realinhamento natural em uma eventual segunda etapa do pleito.

Zema relembrou um diálogo privado que manteve com Jair Bolsonaro em agosto de 2023, ocasião na qual expôs seu desejo de entrar na corrida pelo Planalto. Na versão do mineiro, o ex-presidente validou o projeto ao declarar: “Zema, vá em frente. Quanto mais candidatos à direita tiver, melhor”.

Na ótica do pré-candidato do Novo, a postura do antigo mandatário reflete a musculatura do próprio espectro conservador. Ele ponderou que a pulverização de alternativas na largada não sinaliza rachaduras internas.

"Isso não quer dizer que a direita esteja dividida, porque ela vai estar toda unida no segundo turno", defendeu o pré-candidato.

Críticas ao Palácio do Planalto e à Composição do STF

O entrevistado também direcionou críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacando o que denominou de falta de transparência nas decisões de Brasília e contestando a ausência de parâmetros puramente meritocráticos nas escolhas para o Supremo Tribunal Federal (STF). O político ironizou os critérios adotados pelo atual governo para preencher as cadeiras da Corte:

“O Lula não colocou lá no Supremo o advogado dele, o ministro dele e o advogado do PT. Faltou colocar a mulher e o filho só”, disparou. A declaração faz alusão ao histórico de indicações do petista em seu atual mandato:

Cristiano Zanin: Primeiro nomeado por Lula, assumiu o posto decorrente da saída de Ricardo Lewandowski;

Flávio Dino: Segunda escolha do Planalto, migrou do Ministério da Justiça para a vaga da ministra aposentada Rosa Weber;

Jorge Messias: Indicado para a terceira vaga disponível, o atual chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) acabou tendo a sua indicação rejeitada pelos senadores.

Histórico do Escândalo Financeiro

No dia 13 de maio, o veículo jornalístico Intercept Brasil expôs que o parlamentar do PL tratava o dono do Banco Master com intimidade, chamando-o de "irmão" enquanto costurava financiamento para a cinebiografia de seu pai, intitulada "Dark Horse".

O empresário teria repassado uma quantia de R$ 61 milhões ao congressista. A corporação policial apura se parte desses montantes serviu para subsidiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Dois dias após a exposição das conversas, o senador Flávio Bolsonaro veio a público minimizar o impacto do caso, sustentando a natureza privada das negociações.

"Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás, quando buscava investidor. Quando o Vorcaro era uma pessoa que circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava perto de autoridades. Uma pessoa que era cortejada por todo o país. Ele topou fazer um investimento privado e não tem nada além disso", concluiu o parlamentar.

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