Ciro Gomes ao comparar Lula e Bolsonaro: “Os dois são iguais”

Em entrevista à VEJA, o pedetista mantém o tom ácido contra os principais polos da política brasileira e justifica seu arranjo regional com o PL sob a ótica de que as realidades estaduais são distintas

22/06/2026 às 14h22 Atualizada em 22/06/2026 às 14h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
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Reprodução: Renato Pizzutto/Band
Reprodução: Renato Pizzutto/Band

Ao recusar o convite tucano para ingressar em sua quinta corrida presidencial, Ciro Gomes optou por postular novamente o governo do Ceará, liderando as pesquisas locais com foco na crise de segurança pública. Apesar do recuo nacional, o pedetista mantém o tom ácido contra os principais polos da política brasileira e justifica seu arranjo regional com o PL sob a ótica de que as realidades estaduais são distintas.

O cerne de sua crítica reside na equivalência estrutural que enxerga entre o atual mandatário e o ex-presidente. Para Ciro, o petismo e o bolsonarismo compartilham a mesma matriz macroeconômica, o que anula diferenciações profundas entre as duas gestões.

"Fui candidato a presidente disputando com Lula e Bolsonaro. Tirando a estética, os dois são rigorosamente iguais: câmbio flutuante, superávit primário, meta de inflação, autonomia selvagem do Banco Central, política de paridade de preço internacional da Petrobras, reforma da Previdência, privatização fraudulenta", disse com exclusividade à VEJA.

Sátira e Distanciamento das Lideranças Federais

Ao rechaçar qualquer possibilidade de endossar uma eventual candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o cearense relembrou os duros adjetivos já desferidos contra o clã e ironizou a postura ética de ambos os lados no episódio de fraudes do INSS, afirmando que "o PT não tem moralidade nem decência nenhuma. O outro lado também não". Ele argumenta que o senador fluminense poderia, inclusive, capitalizar suas denúncias contra o governo atual.

"E não sei se o Flávio quer meu apoio também, porque o que eu já disse sobre eles — 'um bando de imbecis, picaretas da rachadinha, ladrões, corruptos' — certamente seria usado pelos oportunistas do PT. Aliás, ele, Flávio, deveria usar o que eu também já falei do PT", explica Gomes à VEJA.

Paralelamente, Ciro classifica a atual gestão federal como um contínuo "estelionato eleitoral" maquiado por artifícios contábeis, e aponta que a proximidade de Lula com elites financeiras dita os rumos econômicos do país de forma semelhante à do governo anterior.

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