Após críticas por não ser de SP, Marina Silva rebate: “Visão misógina”

A política, que nasceu no Acre, destacou que figuras masculinas de fora do território paulista costumam ser “acolhidos com tapete vermelho”

26/06/2026 às 15h35
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ex-ministra Marina Silva (Rede) repudiou os questionamentos direcionados à sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo, rotulando os ataques motivados por sua origem de nascimento como "visão misógina". A política, que nasceu no Acre, destacou que figuras masculinas de fora do território paulista costumam ser "acolhidos com tapete vermelho".

Marina, que conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo no pleito de 2022, disputará o cargo de senadora compondo uma dobradinha com Simone Tebet (PSB), cuja base natal é o Mato Grosso do Sul. Durante um ato público realizado hoje juntamente com Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao Executivo paulista, a ex-parlamentar fez questão de ressaltar sua caminhada política construída no estado.

O debate em torno da naturalidade das duas pré-candidatas tem ganhado força nos bastidores. O incômodo surge porque, na disputa governamental de 2022, os partidos de esquerda usaram de forma insistente o argumento regionalista contra Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador que é natural do Rio de Janeiro. Naquela época, Tarcísio virou piada ao hesitar em uma entrevista sobre a localização de sua própria seção eleitoral, que estava registrada em São José dos Campos. Em decorrência disso, os adversários o carimbavam frequentemente como "forasteiro".

A oposição já começou a utilizar essa mesma retórica na atual pré-campanha. No evento que oficializou André do Prado (PL) na corrida ao Senado, as duas ex-ministras foram alvos de alfinetadas veladas. O mestre de cerimônias da solenidade bradou que "nossos candidatos têm serviço prestado por São Paulo e tem ligação com o estado". No mesmo tom, o prefeito de Guarulhos, Lucas Sanches (PL), subiu o tom: "De um lado, a gente tem duas mulheres, duas pessoas que vivem no Maranhão, no Acre, não conhecem nada de São Paulo".

Defesa de Haddad e configuração da chapa

Ao ser indagado se o discurso atual não entraria em contradição com o que foi defendido em 2026, Haddad argumentou que suas restrições passadas não miravam o fato de Tarcísio ser fluminense. "Critiquei porque ele foi trazido para cá pela mão de uma terceira pessoa, não veio de espontânea vontade, ele queria ser senador por Goiás", justificou o petista.

No mesmo evento, o ex-comandante da Economia oficializou Márcio França (PSB) como seu companheiro de chapa na vaga de vice-governador. Com esse arranjo selado, Marina e Tebet assumem formalmente os postos de candidatas ao Senado pela frente progressista em São Paulo. O encontro político contou com a presença de lideranças do PT, PSOL e da ex-ministra do Meio Ambiente.

Ao final do encontro, Marina Silva sintetizou seu descontentamento com o tratamento diferenciado baseado em gênero:

"Essa é a visão misógina. Quando são os homens que vêm pra cá para disputar, eles são acolhidos com o tapete vermelho. Quando é uma mulher, é chamada de forasteira."

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