Vereador do PT acusado de envolvimento com o PCC recebeu R$ 250 mil em depósitos em espécie

Investigação cita movimentações milionárias, mensagens de WhatsApp e supostos repasses ligados à empresa Transunião

29/06/2026 às 05h47
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
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Foto: Divulgação
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As investigações da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público estadual apontam que o vereador Senival Moura (PT), preso na última quinta-feira (25), recebeu ao menos R$ 250 mil em depósitos realizados em espécie entre 2019 e 2022. Segundo os investigadores, o parlamentar seria beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles.

De acordo com o relatório que embasou a Operação Última Parada, Senival movimentou aproximadamente R$ 2,3 milhões em recursos sem origem declarada no período analisado. Além dos depósitos em dinheiro vivo, a investigação identificou R$ 81 mil em cheques, entre devoluções e depósitos, além de outras despesas consideradas incompatíveis com a origem formal dos recursos.

Para a Polícia Civil, os valores levantam suspeitas sobre a capacidade financeira do vereador. “A movimentação financeira global de SENIVAL PEREIRA DE MOURA, especialmente quando confrontada com o montante de R$ 2.473.043,69 sem origem declarada, constitui elemento central para o aprofundamento das apurações, pois indica possível dissociação entre capacidade econômica formal, patrimônio declarado e efetiva circulação de valores”, afirma o documento.

A investigação também relaciona Senival ao assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião, morto em 2020 em uma padaria na zona leste de São Paulo. Segundo a polícia, Adauto seria operador do parlamentar dentro da empresa e teria sido executado pelo PCC após supostos desvios de recursos da facção. O relatório afirma que Senival teria sido posteriormente perdoado pelos criminosos.

Ainda conforme os investigadores, recursos da concessionária teriam sido direcionados ao vereador mesmo sem participação formal na empresa. “A identificação de recursos provenientes da concessionária em favor de SENIVAL PEREIRA DE MOURA assume particular relevância porque os elementos produzidos durante a investigação indicam que, embora não integrasse formalmente sua estrutura societária, exercia influência concreta sobre a dinâmica decisória e administrativa da companhia”, registra o relatório.

Mensagens encontradas no celular de Adauto também são citadas como indícios da suposta participação de Senival nas movimentações financeiras. Nos diálogos, o vereador aparece identificado pelos apelidos "veio", "extrema", "presidente" e "vereador". Em uma das conversas, um dos investigados escreve: “Preciso pelo menos hoje. De 5. Falei com o veio ontem si cair do atrasado ele falou que sim”.

Outras mensagens reproduzidas pela investigação reforçam a tese de que pagamentos dependiam da autorização do parlamentar. Entre elas estão: “Amanhã não esquece dos 20 já conversamos sobre isto e o veio também por favor”; “5.000 nesta conta quarta feira já conversei com o veio”; e “Dia 15 valor 53.500. Já falei com o vereador”.

Segundo a Polícia Civil, as conversas demonstram que decisões relacionadas aos repasses financeiros passavam pela aprovação de Senival. “Com efeito, o conjunto de interlocuções acima reproduzido evidencia que as deliberações relacionadas à movimentação e destinação paralela de recursos financeiros gravitavam em torno da figura reiteradamente referida como ‘Veio’, cuja ciência, anuência ou intervenção prévia se mostrava necessária à operacionalização dos repasses discutidos entre os interlocutores”, conclui o relatório.

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