Relator de casos Master, INSS e Dark Horse, Mendonça amplia poderes no STF

A determinação direciona mais um procedimento de forte impacto político para a mesa do ministro, consolidando sua posição como um dos juízes com maior volume de processos estratégicos na Corte em pleno período de eleições

30/06/2026 às 11h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: CNN Brasil
Compartilhe:
Reprodução: Andressa Anholete/STF
Reprodução: Andressa Anholete/STF

O chefe do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, estabeleceu na última quinta-feira (25) que o magistrado André Mendonça comandará a relatoria do pedido de abertura de inquérito que apura o aporte financeiro do longa-metragem Dark Horse, obra inspirada na trajetória pública do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL). A determinação direciona mais um procedimento de forte impacto político para a mesa do ministro, consolidando sua posição como um dos juízes com maior volume de processos estratégicos na Corte em pleno período de eleições.

Sob os cuidados iniciais do ministro Alexandre de Moraes, o processo acabou repassado a Mendonça depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o setor técnico do tribunal identificaram ramificações entre os indícios que envolvem o caso e a apuração principal que orbita em torno do Banco Master.

O parlamentar e postulante ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já confirmou publicamente ter solicitado suporte financeiro a Daniel Vorcaro, acionista majoritário do Master, com o objetivo de custear a produção audiovisual. O requerimento de apuração visa esclarecer se os montantes de fato financiaram a execução do filme ou se sofreram desvios, além de apurar o nível de envolvimento de Eduardo Bolsonaro na gestão desse capital.

A apuração sobre possíveis fraudes de grande escala no Banco Master figura hoje como uma das demandas mais expressivas sob a tutela de Mendonça. Ele assumiu o caso por meio de sorteio em fevereiro, substituindo Dias Toffoli, que abriu mão da relatoria após acertos internos com os demais membros da Corte. Paralelamente, Mendonça lidera o inquérito que mapeia fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), focado em desvios de proventos e benefícios de idosos que teriam ocorrido tanto na gestão de Jair Bolsonaro (PL) quanto na de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Alarme nos Bastidores de Brasília e Estratégia de Plantão

A evolução dessas apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) tem o poder de atingir membros da atual gestão federal, a campanha de Flávio Bolsonaro, além de legendas e lideranças do espectro de centro e da oposição no parlamento. Informações reveladas anteriormente pela CNN indicam que ambos os escândalos possuem pontos de contato: elementos colhidos pela PF na fraude do banco passaram a municiar frentes de trabalho da CPMI do INSS.

O ritmo imposto aos processos em meio ao ano eleitoral aumentou o temor nas cúpulas políticas da capital federal diante do potencial de novas descobertas. No âmbito do Banco Master, o receio se intensifica pela hipótese de que Daniel Vorcaro ou pessoas de seu círculo firmem um acordo de colaboração premiada capaz de expor figuras de múltiplos poderes. Apesar do cenário, a PGR e a PF rejeitaram as duas intenções de delação submetidas pelos advogados do ex-executivo financeiro.

Diante da complexidade do panorama, Mendonça optou por deixar um grupo de assessores de seu gabinete em regime de plantão ao longo do recesso do Poder Judiciário, programado para iniciar nos próximos dias. A leitura interna aponta que a investigação do Master ganhou corpo, abrindo novas ramificações e apontando para a necessidade de novas medidas urgentes junto ao STF.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários