
O rol de candidatas potenciais para integrar a chapa vice-presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) tem se expandido conforme o avanço das articulações da pré-campanha com legendas aliadas. O objetivo central é experimentar diferentes perfis que possam amenizar a desvantagem do senador junto ao voto feminino, segmento identificado como um dos grandes obstáculos desde o início da jornada rumo ao Planalto, cenário agravado pelo distanciamento público entre o parlamentar e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Dados corroboram essa urgência. Enquanto o PoderData/Aya de junho aponta Lula (PT) com 50% das intenções de voto contra 38% de Flávio entre as mulheres, a Genial/Quaest revela uma distância ainda maior: 41% a 24%, com um contingente de 13% de indecisas. Para a equipe de campanha, capturar esse nicho é a principal via para o crescimento da candidatura. Consequentemente, nomes com variadas competências, políticas, técnicas e eleitorais, passaram a ser avaliados, abrangendo parlamentares do PL e do Progressistas, quadros ligados ao antigo governo e figuras de relevância no agronegócio e nas esferas religiosa, tanto católica quanto evangélica.
Daniella Marques (Republicanos)
Já atuante na estrutura da pré-campanha na formulação do programa econômico, seu nome permanece no radar. Flávio já a descreveu como "a melhor pessoa do time de Paulo Guedes", destacando seu papel no desenho da agenda econômica da gestão Bolsonaro. Também é vista como possível ministra da Economia em um eventual governo. Administradora e ex-presidente da Caixa, ela une a confiança do núcleo da campanha ao diálogo com o Republicanos, embora careça de trajetória em disputas eleitorais.
Tereza Cristina (PP-MS)
É a figura de maior peso político entre os cotados e um "sonho de consumo" para muitos aliados. Entretanto, seu foco principal é a disputa pela presidência do Senado em 2027, o que complica o convite. Senadora, agrônoma e ex-ministra da Agricultura, sua indicação traria o suporte do agronegócio, facilitaria a interlocução com o Centrão e imprimiria um tom moderado. A resistência do PP em abrir mão de sua liderança máxima, porém, atua como um entrave.
Simone Marquetto (PP-SP)
Sua candidatura ganha tração por representar um perfil menos pautado pela ideologia, facilitando um entendimento com o Progressistas. Deputada federal e ex-prefeita de Itapetininga (SP), sua principal credencial é o trânsito na Renovação Carismática Católica, ponto ressaltado pelo coordenador da campanha, Rogério Marinho. Embora ajude a dialogar com católicos praticantes, enfrenta o desafio da baixa notoriedade nacional.
Bia Kicis (PL-DF)
Surge como opção caso a chapa opte por uma identidade bolsonarista pura. Advogada e ex-procuradora, Kicis possui forte influência entre os apoiadores leais e mantém proximidade estreita com Jair e Michelle Bolsonaro. Embora reforce a base ideológica, sua escolha traria pouco ganho na ampliação para o centro, e sua candidatura ao Senado permanece sendo a rota mais provável.
Priscila Costa (PL-CE)
Ventilada em meio ao desgaste na convivência entre Flávio e Michelle, a vereadora de Fortaleza é uma liderança conservadora de peso no Ceará. Com forte atuação em pautas pró-vida e junto ao público evangélico, sua indicação visaria fortalecer a presença no Nordeste, mas padece de limitada projeção fora de seu estado de origem.
Júlia Zanatta (PL-SC)
Símbolo da ala mais ideológica da nova direita, a deputada é reconhecida pela defesa do porte de armas e críticas ao STF. Sendo a primeira a declarar publicamente estar aberta à vice-presidência, seu nome mobilizaria a militância, embora aliados temam que sua capacidade de atrair o eleitorado moderado seja restrita.
Clarissa Tércio (PP-PE)
Citada recentemente pelo próprio Flávio, a deputada e missionária da Assembleia de Deus é influente entre evangélicos no Nordeste. Sua indicação reforçaria laços com o PP e com o segmento religioso, contudo, é o nome que menos possui testes de performance nacional até o momento.
Detalhes técnicos dos levantamentos
A pesquisa PoderData/Aya (número BR-05722/2026), feita entre 21 e 24 de junho com 2.400 entrevistas via URA, possui margem de erro de dois pontos percentuais. Já o levantamento da Genial/Quaest (código BR-07661/2026), realizado presencialmente entre 5 e 8 de junho com 2.004 eleitores, também apresenta margem de erro de dois pontos, com nível de confiança de 95% em ambos os casos.