
A designação de representantes para monitorar as sessões do Office of the United States Trade Representative (USTR) referentes à sobretaxa sobre produtos brasileiros é considerada um “procedimento padrão” por diplomatas do Itamaraty. Integrantes da entidade destacam com exclusividade à coluna Igor Gadelha, do Metrópoles que, desde as discussões inaugurais sobre medidas protecionistas em 2025, o envio de observadores é uma prática comum nesses fóruns, ainda que esses profissionais não intervenham nos debates.
Para a diplomacia brasileira, o ambiente das audiências ocorridas entre esta segunda-feira (6) e terça-feira (7) é reservado para escutar as demandas da iniciativa privada e da sociedade civil. Assim, membros da embaixada em Washington mantêm vigilância sobre os encontros para absorver as críticas e sugestões dos múltiplos segmentos produtivos que buscaram o espaço para se expressar.
Essa presença também visa acompanhar de perto a intervenção do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, que está agendado para tomar a palavra no segundo dia. O evento gira em torno da apuração aberta pelo USTR sob a égide da Seção 301 da legislação comercial norte-americana, a qual culminou na recomendação de novos encargos contra o Brasil.
Em documento formalizado junto à agência dos Estados Unidos, o parlamentar confirmou sua participação, assegurando que seu pronunciamento será focado em combater a aplicação desses impostos.
O governo federal, contudo, optou por não enviar integrantes do alto escalão para as mesas de discussão. A interpretação adotada pelo Ministério das Relações Exteriores e pela cúpula do Palácio do Planalto é de que seria inadequado intervir em um fórum cujo público-alvo são entes não governamentais, uma vez que a administração brasileira já possui linhas diretas de negociação com o governo Donald Trump para debater a questão tarifária. As informações são de Igor Gadelha.