
Antes do início formal da propaganda eleitoral, PT e PL já movimentaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com mais de 130 representações sobre conteúdos digitais. Este volume representa uma escalada de 329% comparado ao pleito de 2022, evidenciando que recorrer à Justiça “virou parte da estratégia de campanha e não o seu desfecho”. As informações são da Gazeta do Povo.
O objetivo das agremiações não é apenas apagar publicações, mas definir limites para a disputa e blindar a imagem de seus nomes contra narrativas adversas. O ministro André Mendonça tem sido protagonista dessas decisões, como ao ordenar a exclusão de posts que vinculavam Flávio Bolsonaro a uma suposta escala de trabalho "7x0" ou ao remover uma montagem por inteligência artificial que simulava um encontro entre o senador e um banqueiro. Segundo a defesa do parlamentar, os opositores foram forçados a retirar os conteúdos por difundirem “fatos inexistentes”.
De forma análoga, o Partido dos Trabalhadores busca barrar associações entre Lula e o crime organizado. Em um dos casos, o TSE ordenou a exclusão de um vídeo do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) que sugeria vínculos entre o PT e facções criminosas. Ao analisar o caso, Mendonça reiterou que a liberdade de expressão não ampara a “imputação de fato ilícito grave” despida de provas, além de reforçar que o impulsionamento pago não pode ser utilizado para disseminar materiais negativos contra rivais.
Especialistas apontam à Gazeta do Povo uma transformação estrutural na disputa. Pedro Henrique Mazzaro Lopes observa que “estamos diante de uma mudança de patamar” e alerta para o risco de o tribunal se tornar um “gestor contínuo daquilo que pode ou não circular nas redes”. Para Roosevelt Arraes, da Abradep, a "marcação cerrada" entre as frentes políticas tende a se intensificar, com as equipes jurídicas atuando em sintonia fina com as estratégias de comunicação para atacar os posicionamentos e limitar o alcance da voz do oponente.