
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, enviou um recado direto ao Palácio do Planalto diante da investida do Ministério da Justiça para reaver policiais cedidos a diversos órgãos públicos. Mendonça, responsável por inquéritos de alto impacto, como o caso Master e as fraudes no INSS, alertou que, caso essa determinação venha a ser aplicada à Corte, o ato poderá ser interpretado como uma “tentativa de obstrução de Justiça”, sendo passível de deflagrar uma nova frente de apuração.
O temor no STF é que a movimentação, oficialmente justificada pelo governo para reforçar o combate ao crime organizado, sirva na realidade como instrumento de interferência política em investigações sensíveis a menos de três meses das eleições. A analogia feita por um membro da Polícia Federal reflete o ceticismo da Corte: “Esse motivo do governo não é verdadeiro. É como jogar um copo d’água no Rio Tietê e dizer que isso vai melhorar a qualidade de água”, ironizou um integrante da Polícia Federal ouvido reservadamente pelo jornal O Globo.
Atualmente, delegados da PF dão suporte estratégico aos gabinetes de ministros como o próprio Mendonça, Luiz Fux e Alexandre de Moraes. A tensão é agravada pelo fato de que essas apurações tocam figuras de alto escalão e aliados do governo, incluindo o caso do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", investigado por suposta ligação com fraudes no INSS. Até o momento, o STF não foi incluído na lista de órgãos notificados, mas o alerta de Mendonça estabelece uma linha clara contra qualquer tentativa de desmantelar a estrutura de auxílio às investigações da Suprema Corte.