
O Palácio do Planalto emitiu, na terça-feira (7), um severo posicionamento repudiando a atuação do senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), durante audiência no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O encontro em Washington debate a proposta norte-americana de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre mercadorias brasileiras. Em nota veiculada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Executivo classificou a postura do parlamentar de forma contundente:
“convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”.
O comunicado sublinha que o congressista foi o único, entre os representantes nacionais na sessão, que evitou manifestar oposição direta ao tributo, limitando-se a pleitear seu adiamento. Segundo os dados oficiais citados pela Secom, entre 34 brasileiros inscritos, apenas o filho do ex-presidente adotou tal conduta, o que, para o governo, possui um “claro objetivo eleitoreiro”.
“Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”, diz trecho.
Durante o evento, o parlamentar alegou que o momento seria inadequado para a sanção, insinuando que a taxação favoreceria o presidente atual às vésperas do pleito, além de acusar o governo de ter utilizado as tarifas para fins políticos. O Planalto, todavia, retrucou afirmando que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país” em vez de contestar as premissas do inquérito contra o Brasil.
A nota também refuta as acusações de corrupção lançadas pelo senador, remetendo aos vínculos de Flávio com Daniel Vorcaro e apontando a responsabilidade de seu grupo político em esquemas de descontos indevidos no INSS, os quais foram desarticulados pela Controladoria-Geral da União e pela PF na atual gestão.
Quanto ao PIX, a Secom rebatou a tentativa do senador de reivindicar a autoria da ferramenta ou de subordiná-la aos interesses dos EUA. De acordo com o governo, o parlamentar contradiz seu histórico ao tentar apresentar-se como defensor da plataforma.
“Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o Pix. Mesmo assim, propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos”.
Enquanto o pré-candidato realizava sua intervenção, o Planalto destacou que uma delegação multiministerial trabalhava em negociações técnicas paralelas para “desfazer o tarifaço contra o Brasil”, reforçando que mantém diálogo constante com Washington desde julho de 2025 para demonstrar a ausência de fundamentos das medidas restritivas.