
Uma análise recente conduzida pelo Datafolha revela uma curiosidade no espectro ideológico do eleitorado brasileiro: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atrai uma fatia maior de apoiadores posicionados à direita e centro-direita do que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consegue captar entre o eleitorado de esquerda e centro-esquerda. O estudo baseou-se em entrevistas presenciais com 2.004 cidadãos de 139 cidades, realizadas entre 17 e 18 de junho de 2026, mantendo um índice de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
De acordo com os dados, entre os entusiastas da reeleição de Lula, 24% se autodefinem como sendo de direita (5%) ou centro-direita (19%). Em contrapartida, o contingente que almeja votar em Flávio, mas que se enquadra no campo da esquerda (3%) ou centro-esquerda (15%), totaliza apenas 18%.
Distribuição de Identificação Ideológica (por candidato):
| Faixa Ideológica | Eleitores de Lula | Eleitores de Flávio |
| Direita | 5% | 25% |
| Centro-direita | 19% | 38% |
| Centro | 16% | 17% |
| Centro-esquerda | 36% | 15% |
| Esquerda | 24% | 3% |
Este cenário emerge em um período no qual segmentos conservadores têm demonstrado distanciamento da candidatura de Flávio. O senador, envolvido em episódios controversos, carece do respaldo explícito de figuras influentes de seu espectro, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF). Esta última chegou a protagonizar desavenças públicas, alegando ter sido alvo de desrespeito e maus-tratos por parte do senador, além de ter sido excluída de deliberações partidárias e familiares.
Quanto às intenções de voto, o levantamento indica a liderança do petista em ambos os turnos. Em um eventual embate final, Lula aparece com 47%, enquanto o parlamentar do PL registra 43%.
A sondagem, composta por dezesseis questionamentos, evidenciou desencontros ideológicos entre a base de apoio e as bandeiras levantadas pelos postulantes. Por exemplo, 34% dos simpatizantes de Flávio Bolsonaro defendem a proibição do porte de armamentos, sob a justificativa de que este representa um perigo à integridade física, uma posição antagônica à do seu candidato.
De forma análoga, 26% dos eleitores de Lula divergem da agenda do presidente sobre as leis do trabalho, acreditando que a legislação atual é um entrave ao desenvolvimento corporativo, ignorando o empenho do mandatário na extinção da jornada 6x1.
Por outro lado, existe uma convergência notável sobre a redução da maioridade penal: 61% dos votantes de Lula e 81% daqueles que apoiam Flávio concordam que jovens infratores devem responder judicialmente como indivíduos adultos.