
Diante da iminência de uma nova rodada de sobretaxas comerciais por parte da administração de Donald Trump contra o Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se apresenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto, manifestou apoio aos EUA. Durante o evento, ele direcionou severas críticas ao atual chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando-o de subserviência a Pequim.
Na terça-feira (7), o parlamentar marcou presença em uma audiência pública junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para debater o possível endurecimento alfandegário. Em vídeo transmitido online, ele justificou sua ida ao exterior:
“Vim [aos Estados Unidos] proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo tá vendo o vexame que tá sendo o Lula na parte internacional, alguém que a todo momento ataca os Estados Unidos, faz questão de dizer que é antiamericano (...) Alguém que tem uma posição ideológica, que é diferente da minha, obviamente, mas ele [presidente Lula] faz uma coisa que eu jamais faria, que é colocar a ideologia acima dos interesses do povo. É isso que ele tá fazendo. Ele lambe as botas da China e taca pedra nos Estados Unidos”.
O legislador sinalizou, ainda, possuir relatos de bastidores sobre a efetiva imposição de um gravame de 25% sobre produtos brasileiros, ressaltando que sua movimentação possui cunho tanto técnico quanto político. O prazo final para a decisão da Casa Branca ocorre em 15 de julho.
O evento contou também com a participação de Eduardo Bolsonaro, que reside em território americano. Na tribuna, o senador aproveitou para criticar a gestão do PT e a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a postergação das medidas. A ida de Flávio ao evento deu-se por iniciativa própria e sem vínculo com os canais diplomáticos do Estado brasileiro.
O governo Lula, por sua vez, optou por não ocupar o espaço das audiências públicas, considerando-o inadequado para tratativas complexas, priorizando o diálogo técnico de alto nível. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio mantém-se focado em ampliar o rol de exceções aos itens tarifados.
Embora tenha enviado uma proposta por escrito ao USTR sugerindo tarifa zero para etanol e açúcar, o senador não abordou em sua fala temas centrais da investigação americana, como desmatamento e propriedade intelectual. Contudo, a equipe ministerial brasileira refuta a inclusão do etanol na mesa de negociações, citando o "risco" que tal concessão traria ao setor sucroalcooleiro do Nordeste.
Em resposta oficial encaminhada na última quinta-feira (2), o chanceler Mauro Vieira sustentou que os EUA não demonstraram que as políticas nacionais operam de maneira discriminatória ou impõem obstáculos ilegais ao intercâmbio comercial, rebatendo alegações sobre questões como o PIX e a legislação anticorrupção.