
Agentes da Polícia Federal (PF) apontam que o executivo, Daniel Vorcaro, estruturou um esquema focado na cooptação de figuras influentes na internet para blindar o Banco Master e atacar a conduta da autoridade monetária do Banco Central (BC). Documentos da apuração da PF, citados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que os contratos para a disseminação de tais narrativas podiam alcançar a cifra de R$ 2 milhões. O magistrado validou, na quinta-feira (9), mandados de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, apontado como o articulador da rede que buscava inflar a reputação da instituição financeira enquanto desqualificava o BC.
A corporação alega ter localizado um termo de sigilo atrelado ao denominado “Projeto DV”, que impunha restrições severas sobre toda a troca de informações e materiais da campanha, inclusive antes de qualquer vínculo formal. Os valores seriam viabilizados por Miranda via Super Empreendimentos e Participações, companhia que mantém conexões com Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Em oitiva realizada pela própria PF anteriormente, o publicitário admitiu ter submetido ao banqueiro uma proposta de “reestruturação de imagem e gerenciamento de crise” em sequência à primeira liberação de Vorcaro da prisão, ocorrida no fim de 2023. O investigado alegou que o planejamento foi elaborado em parceria com uma agência.
Entre os casos listados pela PF, surge o do vereador Rony Gabriel (PL-RS), que declarou em depoimento ter sido instado a colaborar com uma tarefa de “gerenciamento de reputação e gestão de crise”. Conforme o relato, o parlamentar teria sido compelido a subscrever um documento de confidencialidade com penalidade de R$ 800 mil antes de tomar conhecimento pleno do projeto, que consistia em criar vídeos retratando o Master como alvo de uma perseguição por parte do BC. Os investigadores sustentam que a ofensiva ia além de influenciadores, abrangendo também a tentativa de remover publicações de cunho jornalístico, impulsionar notas favoráveis ao banco e manipular a nota de aplicativos, além de recorrer a ataques virtuais para derrubar links desfavoráveis ao conglomerado.
Em nota oficial, o advogado Rafael Martins, representante de Thiago Miranda, refutou a ocorrência de ilicitudes e garantiu que o profissional sempre agiu sob o respaldo normativo. O defensor sublinhou que a existência de um inquérito não confere veredito de culpabilidade e frisou que o cliente colaborará com a Justiça. “Por fim, informa que a defesa acompanhará atentamente todos os atos do procedimento e adotará as medidas jurídicas cabíveis para assegurar que os fatos sejam apurados com equilíbrio, técnica e respeito às garantias legais, afastando-se conclusões precipitadas ou interpretações incompatíveis com a realidade”, afirma o texto.
Paralelamente, a PF detectou que Vorcaro teria ordenado a Miranda a produção de um dossiê sobre o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, justificando a demanda por considerar que o executivo lhe “causava muito problema”. O publicitário, segundo os federais, também atuava na coleta de dados de indivíduos identificados como entraves aos planos do banqueiro. A polícia obteve diálogos que mostram o publicitário elaborando um relatório secreto contendo informações pessoais e financeiras de Maluhy e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy. Em uma das trocas, Vorcaro solicita: “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema”. Na sequência, Vorcaro indaga: “Me ajuda nisso?”, ao que Miranda prontamente responde: “Deixa comigo”.