
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), acionou o Judiciário em uma tentativa de obter reparação cível por danos morais no valor de R$ 15 mil contra a parlamentar federal, Erika Hilton. O caso tem como estopim uma postagem realizada pela congressista nas redes sociais em 5 de maio. As informações são do g1.
A peça jurídica protocolada pela gestora municipal alega que o material veiculado congrega um conjunto de declarações a respeito de sua administração que, no entendimento da requerente, seriam inverídicas e caluniosas.
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul indeferiu o pleito inicial de Adriane Lopes. A determinação foi exarada na quinta-feira (9) pelo magistrado Marcus Abreu de Magalhães, titular da 12ª Vara Cível da capital sul-mato-grossense. Em sua fundamentação, o juiz considerou que inexistem fundamentos bastantes para compelir a exclusão dos textos e salientou a necessidade de se resguardar a prerrogativa de livre manifestação no campo das discussões políticas.
O conteúdo contestado pela prefeita cita um estudo da AtlasIntel de dezembro de 2025, o qual posicionou Lopes na lanterna entre os governantes das capitais do Brasil. O levantamento apontou que a prefeita acumulava 79% de rejeição.A postagem de Hilton repercutiu poucas semanas após a sanção, por parte de Lopes, de uma lei que veda o acesso de mulheres transgênero a sanitários femininos em Campo Grande. No material, a deputada elenca uma série de suspeitas sobre a prefeita, como:
O suposto título de ocupar o primeiro lugar no ranking de "pior prefeitura do país";
A existência de apurações acerca de um possível desvio de R$ 156 milhões da rede pública de saúde local;
O relato de que a autarquia previdenciária teria aplicado R$ 1,2 milhão de verbas de inativos no Banco Master;
A alegação de que a legislação sobre o uso de banheiros seria inconstitucional, inaplicável e operaria como um vetor para viabilizar a violência contra mulheres.
A petição aponta que o material alcançou números expressivos: 60,8 mil curtidas, 3,3 mil respostas, 4,7 mil compartilhamentos e 3,4 mil envios.
O documento ainda reforça que o escritório da parlamentar recebeu um aviso extrajudicial, com o prazo de 72 horas, para colacionar provas que corroborassem as alegações, o que, segundo o texto da ação, não ocorreu. Diante disso, Lopes requer o apagamento do conteúdo em duas plataformas digitais, além de uma retratação formal nos mesmos canais.
Os pedidos da prefeita englobam:
Reparação de R$ 15 mil por danos morais;
Multa diária de R$ 10 mil para o caso de descumprimento de eventual ordem de exclusão em 24 horas;
Multa de R$ 20 mil por cada postagem futura que reproduza as alegações sem a devida comprovação.
O corpo jurídico de Lopes argumenta que o foro privilegiado não deveria atuar como um "escudo absoluto" para condutas ilícitas no âmbito cível, notadamente quando as falas se dão alheias ao Congresso Nacional, em espaços de uso pessoal.
A menção à "pior prefeitura do país" remete ao estudo da AtlasIntel, onde a prefeita amargou a última colocação entre os gestores das capitais. O levantamento expôs 79% de reprovação e apenas 14% de aprovação, com 66% dos ouvidos classificando a gestão como ruim ou péssima.