
A pré-candidata do PSB ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, reagiu prontamente na última quarta-feira (8) às observações feitas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que questionou sua legitimidade política no estado. Em declaração exclusiva à CNN Brasil, a ex-ministra do Planejamento disparou: "Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há 10 anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar".
O comentário de Tebet lança luz sobre a origem fluminense do atual governador paulista, que se transferiu para São Paulo apenas às vésperas de sua vitória eleitoral em 2022. Natural do Mato Grosso do Sul, Tebet contrastou sua trajetória com a de Tarcísio, resgatando o episódio em que o chefe do Executivo estadual foi alvo de apurações pelo Ministério Público e pela Polícia Federal justamente por conta de suspeitas sobre sua mudança de domicílio eleitoral, à época fixado em São José dos Campos (SP).
O clima esquentou durante eventos no interior paulista, onde Tarcísio alfinetou tanto Tebet quanto Marina Silva (Rede), afirmando que ambas não possuem "origens políticas em São Paulo" e teriam, nas palavras dele, levado "cartão vermelho" de seus estados de origem, Mato Grosso do Sul e Acre, respectivamente.
Marina Silva, deputada federal por São Paulo desde 2022, também não se calou diante das críticas, classificando a postura do governador como portadora de "dois pesos e duas medidas" e carregada de "preconceito contra as mulheres". Em seu desabafo, a ex-ministra do Meio Ambiente foi enfática:
"É claramente uma pessoa que tem dois pesos e duas medidas. Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim e a Simone, não. E eu acho que tem também uma atitude de preconceito contra as mulheres, de se acharem os donos do mundo. Nós podemos montar o nosso território, a nossa barraca, onde quisermos. As mulheres vão ser sempre vistas como estrangeiras, como devem ficar do lado de fora".
Marina, que mantém uma relação histórica de gratidão com São Paulo por ter sido tratada no Hospital das Clínicas em momentos críticos de sua saúde, já havia rebatido o rótulo de "forasteira" imposto pela direita: "É uma visão misógina. Quando homem vem de outro estado se candidatar, é recebido de tapete vermelho. Quando são duas mulheres, são chamadas de forasteiras".
Mesmo sob pressão dos candidatos apoiados pelo Palácio dos Bandeirantes, como André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), Tebet e Marina seguem ocupando o topo das intenções de voto para as vagas ao Senado. A tensão revela não apenas uma disputa por cadeiras no Congresso, mas um embate sobre os significados de pertencimento e representatividade feminina na política paulista.