
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro oficializou nesta sexta-feira (10) o lançamento do "Imparáveis MB", um novo movimento que passará a ser gerido sob sua tutela. O movimento surge logo após o desligamento da liderança do PL Mulher, formalizado no fim de junho, decisão que teve como pano de fundo o desgaste na convivência com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome da sigla para a corrida presidencial.
Por meio de postagem em rede social, Michelle comunicou que o canal oficial da ala feminina do partido terá uma nova condução. O texto mencionou o "encerramento dos trabalhos e consequente desestruturação do gabinete da presidência nacional do PL Mulher".
"A partir da próxima semana, este perfil passará a ser administrado por outra equipe, com metodologia e agenda próprias, seguindo as novas designações e orientações da direção nacional do Partido Liberal", informou o aviso.
Assinado pela "Equipe de Comunicação MB (Ex-PL Mulher)", o comunicado ressalta: "Michelle não vai parar. Vocês não vão parar. O Brasil não vai parar".
A justificativa dada pela ex-primeira-dama para seu afastamento do diretório partidário, que ocorreu após diálogo com Jair Bolsonaro, foi a priorização dos cuidados com o ex-presidente e a filha, demandando que ela se dedique integralmente ao núcleo familiar. Com o posto de comando feminino do PL vazio, coube a Valdemar Costa Neto, dirigente nacional da legenda, definir os próximos passos; Michelle optou por não chancelar sucessores.
Embora o nome da vereadora fortalezense, Priscila Costa, figurasse como o mais cotado, a escolha enfrenta resistências internas, já que ela esteve no centro do desentendimento entre Flávio e Michelle. A divergência estourou quando a madrasta endossou o nome de Priscila para a disputa senatorial, enquanto o filho do ex-presidente preferia o parlamentar estadual, Alcides Fernandes (PL-CE).
A despeito dos impasses, a base mais ideológica do bolsonarismo pressiona para que Michelle mantenha sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Aliados próximos indicam ao UOL que a balança pende mais para a manutenção do projeto eleitoral do que para uma desistência, embora o veredito final deva surgir somente até a convenção da sigla, em 25 de julho.
O estopim público do conflito foi o vídeo em que Michelle alega ter sido alvo de desrespeito por parte de Flávio, motivado por suas críticas a acordos do PL no Ceará que incluíam Ciro Gomes. "Sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido", confessou, descrevendo a conduta do senador como uma "punhalada".
Embora Flávio tenha pedido desculpas posteriormente, alegando ausência da intenção de ofendê-la, o incidente adicionou turbulência a um período já conturbado para a pré-campanha, que também enfrentou questionamentos envolvendo conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
A figura de Michelle permanece como um trunfo eleitoral indispensável para a conquista do eleitorado feminino e religioso, tornando sua movimentação um ponto nevrálgico no tabuleiro político atual.
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