As fragilidades da operação de Moraes na casa de Jair Bolsonaro

Para o autor Francisco Escorsim, as motivações do ministro da Corte transcendem a argumentação formal, alegando que “o que interessa a Moraes são duas coisas: desejo de demonstração de poder e, em segundo, o gosto do juiz pela vingança”

10/07/2026 às 14h26
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Gazeta do Povo
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Reprodução: BRENO ESAKI/METRÓPOLES
Reprodução: BRENO ESAKI/METRÓPOLES

Durante a edição de quarta-feira (08) do programa Última Análise, da Gazeta do Povo, convidados examinaram a operação da Polícia Federal (PF) na residência do antigo chefe do Executivo nacional, Jair Bolsonaro (PL), realizada sob o aval do magistrado da Suprema Corte, Alexandre de Moraes.

A advogada Fabiana Barroso pontuou a sensibilidade do cenário: "Antes de tudo, é preciso lembrar que se trata de um ex-presidente com comorbidades físicas e com uma prisão domiciliar humanitária decretada. Era preciso muito mais cuidado, pois os riscos de Bolsonaro são altos". Conforme dados compartilhados pelo defensor João Henrique de Freitas, que presta assistência jurídica ao ex-presidente, e corroborados por fontes internas da Gazeta do Povo, a ação mirava o recolhimento de armamentos, acessórios e a respectiva documentação.

Para o autor Francisco Escorsim, as motivações do ministro da Corte transcendem a argumentação formal, alegando que "o que interessa a Moraes são duas coisas: desejo de demonstração de poder e, em segundo, o gosto do juiz pela vingança".

Os argumentos da defesa

Os advogados de Bolsonaro enfatizaram que existem disparidades no inventário de armamentos citado por Moraes. Segundo o grupo jurídico, o ex-mandatário detém dez armas, e não onze, como divulgado, visto que uma das pistolas do modelo Glock já se encontrava sob custódia da Polícia Civil de Brasília. A defesa afirma que o magistrado desprezou essa informação, optando pela intervenção das forças de segurança.

"É uma violência institucional feita por agentes do Estado. Bolsonaro e várias outras vítimas estão esperando uma lei de dosimetria, que já passou pelo Congreso Nacional e está suspensa por causa do Moraes. Ou seja, um único homem está agindo", complementou Barroso.

A respeito do armamento, os representantes legais esclareceram que a pistola Glock já estava apreendida e que uma espingarda estava sob a guarda de uma firma importadora em Caxias do Sul (RS). Posteriormente, agentes da PF recolheram tal espingarda na residência do proprietário da importadora, localizada em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre, sob a justificativa de que teria sido uma doação.

"A defesa já tinha informado o paradeiro de todas as armas. Já se sabia que nada seria encontrado. Foi simplesmente uma ação de intimidação", concluiu o comentarista Luís Ernesto Lacombe no programa.

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