Caso Viih Tube levanta debate na internet: vale a pena mentir pra engajar?

Especialistas analisam os limites das estratégias usadas por influenciadores para viralizar e alertam para riscos à reputação, ao bolso e até à Justiça

10/07/2026 às 14h35
Por: Mateus Pereira Fonte: g1
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Foto: redes sociais
Foto: redes sociais

O caso envolvendo Viih Tube reacendeu uma discussão nas redes sociais: até que ponto vale mentir ou esconder informações para gerar engajamento? A influenciadora afirmou que o reality "As Patroas", alvo de críticas e de uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT), fazia parte de uma encenação para conscientizar o público sobre a escala 6x1. A estratégia, porém, abriu espaço para um debate sobre os limites desse tipo de ação.

Em reportagem publicada pelo g1, especialistas explicaram que esconder a verdadeira intenção de um conteúdo pode até gerar repercussão imediata, mas também representa riscos para a credibilidade de quem produz esse tipo de material.

Segundo a professora da ESPM e especialista em redes sociais Priscila Milk, o chamado "rage bait" — estratégia que provoca indignação para aumentar o engajamento — costuma impulsionar as métricas das redes sociais, já que os algoritmos não diferenciam comentários positivos ou negativos.

"Hoje a gente fala do 'rage bait'. Esse ódio gera interação, infla os números e isso gera dinheiro", explicou a especialista ao g1.

Ela afirma que momentos de grande repercussão acabam sendo usados posteriormente como argumento comercial na negociação com anunciantes, já que muitos contratos levam em consideração apenas os índices de alcance e interação.

Por outro lado, a professora Mariana Munis, do Mackenzie, acredita que o comportamento do público mudou nos últimos anos e que estratégias baseadas em enganar seguidores já não encontram a mesma aceitação de uma década atrás.

"O problema desses grandes influencers é que muitas vezes eles acham que ainda estão em 2013. Hoje as pessoas estão cansadas de quem tenta passar o público para trás", afirmou ao g1.

Os especialistas também destacam que nem toda campanha baseada em surpresa é considerada negativa. Para que funcione de forma ética, é importante que a revelação aconteça rapidamente, que exista transparência ao final da ação e que temas sensíveis jamais sejam utilizados como ferramenta de marketing.

Além dos impactos na imagem, a discussão também envolve possíveis consequências jurídicas. O advogado Márcio Casado explicou ao g1 que influenciadores que lucram com seus conteúdos podem ser responsabilizados caso induzam consumidores ao erro.

"O artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor diz que não é necessária a intenção de enganar. Se a mensagem induz ao erro, pode haver responsabilização", destacou.

Apesar de a legislação brasileira não tratar especificamente de mentiras utilizadas para gerar engajamento nas redes sociais, especialistas avaliam que a monetização desse tipo de conteúdo amplia a responsabilidade dos criadores perante o público e o mercado publicitário.

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