
O casal de influenciadores Lucas Lira, de 34 anos, e Bruna Sunaika, de 31, passou a integrar a investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sobre a divulgação da plataforma de apostas Blaze. Embora não sejam réus na ação movida contra Virginia Fonseca e a empresa, os dois tiveram os contratos com a casa de apostas solicitados pela Promotoria para análise.
Com mais de 27 milhões de seguidores somando Instagram e YouTube, Lucas e Bruna fizeram campanhas para a Blaze nas redes sociais. Em um dos vídeos mencionados no inquérito, Lucas aparece comemorando um suposto lucro superior a R$ 10 mil para incentivar seguidores a conhecerem a plataforma. Em outro conteúdo, Bruna mostra uma aposta em que primeiro ganha dinheiro e, depois, perde parte do valor investido, afirmando que é preciso "ter consciência da hora de parar".
Atualmente, as publicações relacionadas à Blaze já não aparecem mais nos perfis do casal. Procurados, os influenciadores não responderam até a publicação da reportagem. O advogado de Bruna informou apenas que ela não irá se pronunciar sobre o caso.
Em 2023, quando passaram a ser questionados sobre a divulgação de apostas, Lucas e Bruna defenderam publicamente a parceria. Na ocasião, Lucas afirmou que jamais promoveria uma empresa que soubesse ser fraudulenta e negou ter prometido qualquer tipo de renda extra aos seguidores.
Bruna também afirmou que nunca incentivou ninguém a apostar dinheiro que pudesse fazer falta e reforçou que toda aposta envolve riscos. Segundo ela, cada usuário é responsável pelas próprias decisões financeiras ao utilizar plataformas do tipo.
Natural de Samambaia, no Distrito Federal, Lucas conheceu Bruna, mineira, ainda em Brasília. O casal está junto há mais de dez anos, mora em uma mansão na capital federal e costuma compartilhar a rotina da família, viagens e conteúdos de humor nas redes sociais.
A citação dos influenciadores ocorreu dentro do inquérito conduzido pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon). Além de Lucas e Bruna, o MP também requisitou os contratos firmados pela Blaze com Virginia Fonseca e Neymar Jr. O objetivo é entender como eram estruturadas as campanhas publicitárias e verificar se houve utilização de expressões consideradas enganosas, como a promessa de "renda extra".
Enquanto Lucas, Bruna e Neymar aparecem apenas como citados na investigação, Virginia Fonseca já figura como ré na ação civil pública protocolada pelo MPDFT. O órgão pede que a influenciadora e a Blaze sejam condenadas ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
O Ministério Público também solicita que a Blaze apresente informações sobre abertura e bloqueio de contas, retenção de valores, concessão de bônus e políticas internas da plataforma. O processo tramita na 7ª Vara Cível de Brasília e ainda aguarda decisão da Justiça.