Ronaldo Caiado se refere à Flávio e diz que “não dá para trazer uma carta do pai a cada crise”

Durante sua participação no programa Jornal Café da Manhã de segunda-feira (13), o político não poupou críticas à estratégia de campanha do parlamentar

14/07/2026 às 13h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Agencia O Globo; Brenno Carvalho / Agência O Globo
Reprodução: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Agencia O Globo; Brenno Carvalho / Agência O Globo

O postulante ao Palácio do Planalto e antigo chefe do Executivo goiano, Ronaldo Caiado (PSD), teceu duras críticas sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), repercutindo o recente episódio da carta assinada por Jair Bolsonaro (PL) e lida publicamente pelo primogênito.

Durante sua participação no programa Jornal Café da Manhã de segunda-feira (13), o político não poupou críticas à estratégia de campanha do parlamentar: "Eu acho que a candidatura do [Flávio] Bolsonaro está extremamente fragilizada, essa é a grande realidade", pontuou.

Caiado enfatizou que a autoridade política não é um ativo transmissível entre gerações, mas sim algo que se forja individualmente. "Liderança você não herda, não existe uma herança, você constrói a liderança. Uma situação que a cada crise você não tem como ficar trazendo uma carta do pai para respaldá-lo", observou, fazendo referência ao isolamento domiciliar de Jair Bolsonaro, que está impedido pela justiça de navegar na rede mundial de computadores.

O posicionamento do ex-governador acontece em meio ao desgaste público entre Flávio e sua madrasta, Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama trouxe a público, no último mês, impasses relacionados a articulações do Partido Liberal, especialmente envolvendo a figura de Ciro Gomes (PSDB) e o cenário político cearense. Na mensagem manuscrita e, agora, revelada, o ex-presidente pede que o grupo considere o momento oportuno para "deixar as diferenças de lado" e unificar o apoio em torno de seu filho mais velho.

Para o político goiano, a postura de Flávio demonstra uma tentativa de evitar o debate público frente aos entraves internos: "Ele que deveria enfrentar as crises que está vivendo e explica-las à sociedade, não querer tapar o Sol com peneira", finalizou no programa.

Histórico de tensões com Michelle

O desentendimento entre a ex-primeira-dama e o enteado remonta a dezembro, quando o PL sinalizou um pacto no Ceará com Ciro Gomes, contando com a intermediação do deputado André Fernandes. À época, Michelle reafirmou que "não abriria mão de seus valores", o que desencadeou o início das discordâncias com os herdeiros de Bolsonaro.

Em junho, a ex-primeira-dama revelou episódios de hostilidade por parte do senador em suas redes sociais: "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhção, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi".

Na data em que tais relatos ganharam visibilidade, Flávio utilizou seus canais oficiais para se retratar: "Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, asseverou, complementando: “Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil".

Posteriormente, Michelle confirmou sua renúncia ao comando do PL Mulher, justificando que sua prioridade absoluta seria o auxílio direto ao marido durante seu confinamento.

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