Aliados de Michelle citam que Flávio sabia dos riscos de ler carta do pai em live

Esse movimento resultou na suspensão das visitas de Flávio ao pai, que cumpre prisão domiciliar, proibindo o contato entre ambos durante o primeiro turno do pleito

15/07/2026 às 10h54 Atualizada em 15/07/2026 às 10h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: UOL
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Reprodução: Isac Nóbrega/PR / Redes Sociais
Reprodução: Isac Nóbrega/PR / Redes Sociais

O círculo próximo de Michelle Bolsonaro (PL) avalia que a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi "de forma descuidada" ao tornar público o conteúdo de uma carta escrita por Jair Bolsonaro (PL) durante uma transmissão online. A análise foi detalhada pela repórter especial Adriana Negreiros, durante sua participação no UOL News, do Canal UOL.

Conforme apurado pela jornalista, o grupo de apoio à ex-primeira-dama entende que o parlamentar, que é também pré-candidato, tinha total ciência dos possíveis desdobramentos legais de sua ação. Esse movimento resultou na suspensão das visitas de Flávio ao pai, que cumpre prisão domiciliar, proibindo o contato entre ambos durante o primeiro turno do pleito.

Segundo Negreiros, o sentimento compartilhado por pessoas do convívio de Michelle é de reprovação:

"O que eu ouvi conversando com pessoas próximas a Michelle foi o seguinte: que ela considerou a atitude do Flávio muito descuidada. Ela é uma pessoa que tem uma série de cuidados no sentido de não criar problemas contínuos de Moraes, de maneira a não acabar por fazer com que o marido volte pra cadeia, e que o Flávio teria sido absolutamente descuidado. Isso não seria nem compreensível, dado que o Flávio Bolsonaro é advogado, portanto ele sabia muito bem o que estava fazendo ao ler a carta do Jair Bolsonaro nas redes sociais. Sabia quais eram as consequências possíveis daquilo", pontuou a comunicadora.

A repórter reforçou que, na visão desse núcleo, o senador conhecia os riscos inerentes, o que suscita dois questionamentos sobre sua motivação:

"Eu ouvi de uma pessoa próxima a Michelle o seguinte: ou Flávio Bolsonaro agiu de caso pensado, ou ele é um advogado muito meia-boca, nas palavras dessa pessoa, por não saber que isso aconteceria".

Por sua vez, Thais Bilenky pontuou que o esforço do senador em vincular sua imagem à do ex-presidente visava arrecadar votos, mas a estratégia acabou gerando "efeitos adversos" e intensificando rupturas internas na direita, como o conflito aberto com Michelle.

"Ele busca se associar ao pai reiteradamente para dizer para os eleitores: votem em mim, todos vocês que votaram no meu pai. Mas as iniciativas dele tiveram efeitos adversos, porque a Michelle rompeu com ele de uma maneira bastante dura com aquele vídeo e tudo que se seguiu depois", diz Bilenky.

Para o colunista Leonardo Sakamoto, o despacho que impede a interação entre Flávio e o pai promove uma reestruturação na forma como o ex-presidente se comunica com o meio externo, conferindo maior relevância política à ex-primeira-dama.

"A Michelle ganha essa função de ser a mensageira, de ser a principal interlocutora de Bolsonaro. É uma mensageira que não é neutra, de maneira alguma", concluiu o jornalista.

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