Governo Lula faz reunião decisiva com EUA antes de novo tarifaço

Em nota oficial, o Executivo federal reforçou o “caráter injusto” da implementação das orientações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ao declarar que a medida é equivocada

15/07/2026 às 13h40
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
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Reprodução: Acervo ES Brasil/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil
Reprodução: Acervo ES Brasil/Yuri Gripas e Marcelo Camargo/Agência Brasil

A administração liderada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conduziu, na tarde de terça-feira (14), o quinto encontro de cúpula com o Representante Comercial norte-americano, Jamieson Greer. O foco do diálogo girou em torno dos laços mercantis entre as nações e o risco iminente de uma nova escalada tarifária de 25% sobre mercadorias nacionais destinadas aos Estados Unidos. O veredito sobre essa carga tributária está previsto para esta quarta-feira (15), data limite para o pronunciamento oficial. As informações são do Metrópoles.

Em nota oficial, o Executivo federal reforçou o “caráter injusto” da implementação das orientações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), ao declarar que a medida é equivocada, “seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias”.

A proposta de elevar a tarifa em 25% para itens brasileiros, aventada pelo USTR em junho, baseia-se na premissa de contrabalançar supostas “atos, políticas e práticas incoerentes” que, na visão daquele órgão, “oneram ou restringem” as trocas com os EUA. O inquérito que embasa essa ameaça abrange múltiplos setores, como o segmento digital, serviços de pagamentos (com foco no Pix), proteção à propriedade intelectual, entrada de etanol no mercado americano e o combate ao desmate ilegal em território indígena.

Ademais, Washington sugeriu uma taxação adicional de 12,5% sob a justificativa de apurações acerca da exploração de mão de obra análoga à escravidão. Essa sanção, que atinge outros 59 países, fundamenta-se na suposta “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.

“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, sublinhou o documento divulgado pelo Planalto.

A representação brasileira contou com delegados do MDIC, do Itamaraty e da Assessoria Especial da Presidência. Além da decisão que será revelada nesta quarta-feira (15), aguarda-se que a gestão de Donald Trump enumere quais mercadorias serão penalizadas. Nos bastidores do Planalto, a implementação das taxas é considerada um cenário provável, restando apenas precisar a extensão e os bens que entrarão na lista. A leitura predominante entre os negociadores nacionais é a de que a contraparte americana tem ignorado os subsídios técnicos apresentados, sugerindo que uma solução negociada permanece distante no horizonte.

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