
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que se lança como pré-candidato ao Executivo nacional, utilizou o espaço do Flow Podcast, na quarta-feira (15), para tecer críticas contundentes aos magistrados Alexandre de Moraes e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar imputou aos ministros a intenção de exercer abuso de poder nas eleições. Segundo ele, o objetivo seria forjar atalhos institucionais para que a Primeira Turma do STF, que também integra Cármen Lúcia e Cristiano Zanin,usurpe atribuições que seriam privativas da Justiça Eleitoral.
“Eles estão fazendo uma articulação para que essa Primeira Turma do Supremo seja uma espécie de bypass do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições”, disparou o postulante do PL no podcast. Ele detalhou seu receio: “Eles estão criando alguns precedentes lá para que, durante as eleições, ao invés de o PT oficiar o TSE, [pode] oficiar direto a Primeira Turma. E, por lá, seja no inquérito das Fake News, [com] uma petição simples eles podem tirar um perfil do ar, podem dar punições, podem dar suspensões. Eles querem fazer as vezes do TSE”.
Para fundamentar sua tese, o senador mencionou a recente sentença imposta pela Primeira Turma ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que foi condenado a 4 anos e 2 meses de reclusão em regime semiaberto por obstrução de Justiça em investigações sobre a trama golpista, que resultou na sanção ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como um exemplo das balizas jurídicas que estariam sendo estabelecidas.
Ao ser questionado sobre a decisão de Moraes que vetou, por um período de 90 dias, os encontros entre Flávio e seu pai, o pré-candidato classificou a medida como um entrave deliberado à sua caminhada eleitoral e uma “interferência clássica” por parte do ministro.
“Se o Oruam quiser visitar o Marcinho VP na cadeia, ele vai. Mas o Bolsonaro, que não fez nada, é inocente, tem essa restrição e não coincidentemente ele proíbe de falar por 90 dias, exatamente o prazo que se encerraria, logo imediatamente o 1º turno”, ponderou Flávio. E completou: “Então, assim, uma interferência clássica, descarada de tentar dificultar ainda mais o nosso trabalho. Não só tentar enterrar o presidente Bolsonaro vivo”.
Vale recordar que a determinação de Moraes, emitida na segunda-feira (13), condiciona o retorno das visitas a justificativas da defesa sobre a veiculação de uma carta redigida pelo antigo ocupante do Planalto, uma ação que Flávio, durante a entrevista, não hesitou em rotular como uma “desumanidade”.