
Paralelamente ao questionamento movido contra um levantamento da AtlasIntel junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira (15), a cúpula do Partido Liberal (PL) aproveitou a oportunidade para manifestar preocupações quanto à fragilidade dos mecanismos de fiscalização da Corte. A legenda pleiteia a implementação de normas mais severas e precisas no que tange à formalização, monitoramento e publicação de estudos de intenção de voto.
Na visão da sigla, os desencontros recentes com a AtlasIntel não configuram eventos esporádicos, mas sim sintomáticos de brechas estruturais que colocam em xeque a clareza e a conferibilidade das sondagens, além de dificultar o poder de averiguação por parte de legendas, postulantes, do Ministério Público e dos próprios magistrados.
Dentre as requisições, o PL sustenta que a publicação desses estudos deveria ser condicionada à entrega completa do arcabouço documental exigido pelas normas vigentes, incluindo o detalhamento territorial e populacional, logs digitais da captação das respostas e demais registros técnicos capazes de ratificar o método aplicado. Adicionalmente, a agremiação defende que o TSE categorize o recrutamento de participantes, mesmo aquele realizado via impulsionamento em plataformas digitais, como etapa integrante da coleta. Sob esse prisma, tais práticas deveriam respeitar estritamente o cronograma de campo declarado no registro da disputa.
“Se tais mecanismos já se mostram insuficientes nesta fase inicial do calendário eleitoral, é razoável questionar o que ocorrerá quando o processo eleitoral atingir seu momento mais intenso, sobretudo às vésperas do pleito, quando o volume de pesquisas crescerá exponencialmente e o tempo disponível para qualquer forma de fiscalização jurisdicional tenderá praticamente a zero”, destaca a petição apresentada ao TSE.
Pouco tempo após o protocolo do PL no TSE visando desqualificar o levantamento, a consultoria publicou um comunicado oficial negando “veementemente” qualquer desrespeito aos dispositivos da lei eleitoral. O estudo citado, revelado em 1º de julho, aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46,3% das preferências, ante 36,6% de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Na disputa direta de eventual segundo turno, o petista surge com 47,2%, frente aos 36,3% do herdeiro do ex-mandatário Jair Bolsonaro.
O pedido do PL argumenta que a AtlasIntel omitiu dados essenciais para a auditoria, como a discriminação dos municípios e setores censitários, além da estrutura demográfica dos entrevistados. O partido sinaliza ainda supostos descompassos entre o desenho amostral protocolado e o roteiro de perguntas aplicado, concluindo que o material deveria ser considerado irregular.
Em contrapartida, a empresa sustenta ter submetido toda a papelada prevista na legislação ao sistema PesqEle de forma tempestiva, assegurando que os dados municipais e regionais foram devidamente encaminhados. Segundo o instituto, os apontamentos do PL derivam de falhas técnicas na infraestrutura do próprio TSE, e não de negligência por parte da companhia.
A organização ressalta estar “plenamente à disposição da Justiça Eleitoral” para provar, por qualquer recurso técnico necessário, o atendimento integral às obrigações legais vinculadas ao registro BR-04582/2026.