Governo Lula reage após novo tarifaço dos EUA ao Brasil: “Seguiremos sem viralatice”

Liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros, a reação brasileira refutou as críticas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e apontou suposta interferência política na decisão

17/07/2026 às 11h53
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: BBC News Brasil
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Reprodução: Daniel Medeiros/PlatôBR
Reprodução: Daniel Medeiros/PlatôBR

Após os Estados Unidos imporem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Lula articulou uma resposta coordenada na quinta-feira (16). Liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros, a reação brasileira refutou as críticas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e apontou suposta interferência política na decisão. As informações são da BBC News.

Rubio justificou a medida alegando falta de boa-fé nas negociações: “Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé”. Ele ainda completou: “Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso”.

O chanceler Mauro Vieira classificou as declarações como "inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo", acrescentando que a medida externa decorre da resistência do Brasil em aceitar demandas consideradas "irrazoáveis".

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a postura de soberania: “A gente precisa colocar em pratos claros que (as tarifas) se tratam de uma interferência externa do ponto de vista do governo (...) É inadmissível que isso aconteça nessa altura do campeonato”. Durigan também criticou a oposição, citando a postura de Flávio Bolsonaro, e afirmou: “E por fim, nós seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrar a interesses estrangeiros. Com isso a gente vai seguir protegendo o Pix. Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem viralatice e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida”.

Apesar da tensão e da ameaça de aplicar a Lei de Reciprocidade, o Palácio do Planalto mantém o canal diplomático ativo: “Com isso, nós não estamos dizendo que nós não estaremos abertos à negociação, pois seguiremos abertos a diplomacia à negociação, seja com os Estados Unidos, seja com qualquer outro país que nos trate com o devido respeito”. O governo também vinculou a hostilidade americana a um "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro", classificados como "falsos patriotas".

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