
Na quarta-feira (15), o ex-chefe da pasta da Fazenda e postulante ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad (PT), pontuou que o Brasil não vive um impasse diplomático com a nação norte-americana, mas sim com a atual gestão de Donald Trump (Partido Republicano). De acordo com o ministro, as taxas alfandegárias instituídas pela Casa Branca configuram uma “agressão completamente fortuita e gratuita”, atingindo frontalmente a indústria paulista.
“Nós não estamos em conflito com os Estados Unidos. É o governo do Trump que tem problemas conosco”, declarou ele enquanto cumpria agenda em municípios do interior paulista, como Jales, Fernandópolis e Votuporanga. Haddad observou que o mandatário dos EUA sofre com índices elevados de rejeição interna e sublinhou que a postura comercial de Washington é desprovida de fundamento, visto que o país vizinho detém balança comercial favorável em relação aos brasileiros há uma década e meia.
“O Brasil precisa estar unido para dar uma resposta a essa agressão”, defendeu o petista. O economista ainda disparou críticas contra a postura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador paulista, por persistir na defesa da administração Trump. Conforme Haddad, é necessário que o gestor estadual “reavaliar sua posição” e promova uma “autocrítica” por imaginar que nações estrangeiras zelariam pela soberania e pelas demandas do nosso país.
“O Estado mais afetado pelo tarifaço do Trump é o Estado de São Paulo. Mais uma razão para os paulistas estarem unidos em torno dos interesses nacionais”, salientou.
Quanto às contestações da gestão norte-americana sobre o Pix, o ministro atribuiu a postura a favorecimentos de corporações bancárias particulares. Na visão dele, a ferramenta de transferências imediatas democratiza o acesso e minimiza despesas para a população e o setor produtivo, não sendo passível de entrega à iniciativa privada.
“O Pix é uma ameaça a interesses privados, mas ele é público. Ele não está enriquecendo uma empresa privada. Está barateando os custos de transação no Brasil”, explicou. Ademais, Haddad conectou a sustentação da ala bolsonarista ao governo trumpista com o projeto de desestatização do sistema de pagamentos. “Não pode ter bolsonarismo no Brasil apoiando um governo hostil ao nosso país”, arrematou.