
Durante um evento realizado no Espírito Santo nesse último sábado (18), o senador e postulante ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), declarou enfaticamente que jamais irá se curvar diante de medidas que classificou como arbitrárias. O pronunciamento veio à tona menos de vinte e quatro horas após o magistrado Alexandre de Moraes, integrante da Suprema Corte, endurecer as sanções impostas a Jair Bolsonaro, atualmente em cumprimento de prisão domiciliar.
Entre as determinações expedidas pelo ministro, destaca-se a proibição temporária, pelo prazo de trinta dias, ao recebimento de quaisquer visitas pelo ex-presidente, abrangendo inclusive parentes, ressalvando-se tão somente profissionais da saúde e advogados credenciados. O despacho também impôs barreiras a encontros com motivação eleitoral até o encerramento do pleito de outubro, além de vetar a propagação de comunicados políticos, mesmo quando intermediada por terceiros e por quaisquer canais midiáticos.
No que tange especificamente a Flávio Bolsonaro, parlamentar fluminense e legalmente inscrito como defensor técnico de seu pai, foi mantida a interdição de visitas por noventa dias, penalidade aplicada após a veiculação de uma carta manuscrita do ex-mandatário em plataformas digitais no dia 11 de julho.
Diante de apoiadores reunidos para oficializar a pré-candidatura de Maguinha Malta (PL) ao Senado, o congressista manifestou sua indignação com os rumos institucionais do país.
"Eu não vou abaixar a cabeça para tirano nenhum, eu sou conhecido na política como uma pessoa centrada, ponderada, alguém que busca sempre quer construir pontes. Eu vou continuar sendo assim, mas entendam que quando um tirano vai se autoconcedendo poder, não tem nada que vá fazer ele devolver esse poder para o povo, a não ser a que todos voltem a cumprir a Constituição", pontuou o parlamentar no palanque. "Peço a Deus para resgatar alma de Moraes".
Afastando qualquer tom revanchista, o senador afirmou direcionar suas orações para uma transformação pessoal do ministro do Supremo Tribunal Federal, a quem dirigiu duras críticas e questionamentos sobre a legalidade de suas ações e a conduta de seus familiares.
"Eu não estou buscando vingança de nada, peço a Deus que possa resgatar aquela alma [Alexandre de Moraes]. Não tem ninguém que está acima da lei, por que ele acha que pode? Por que a esposa dele recebe R$ 129 milhões? Para fingir que está advogando e ele faz advocacia administrativa. Por que ele está acima da lei? Por que nenhuma investigação começa?", questionou publicamente.
Aproveitando o discurso, o candidato do PL reiterou uma promessa de campanha: assegurou que, caso obtenha a vitória nas urnas, celebrará a subida à rampa presidencial acompanhado por cidadãos condenados em decorrência dos episódios de depredação ocorridos em 8 de janeiro de 2023, processo conduzido sob a relatoria do próprio Moraes.
"Apesar do Alexandre de Moraes ser a pessoa que está fazendo tanto mal para o Brasil, tem pessoas aqui que serão anisitiadas, subirão a rampa comigo", declarou.
Por fim, o político prometeu reestruturação e independência às forças de segurança pública federais a partir de 2027, direcionando um alerta aos agentes públicos que, segundo sua avaliação, estariam atuando sob diretrizes inconstitucionais.
"As instituições estão aparelhadas. Policiais federais deste Brasil, vocês voltarão a ter autonomia para trabalhar, vocês voltarão a ir atrás de bandido de verdade. Vocês serão valorizados a partir de 2027. Mas vocês que estão se prestando a um papel de destruir um país, cumprindo ordens ilegais, vocês vão cumprir a lei", concluiu.