Salles chama candidatas ao Senado de 'forasteiras' e aponta uma 'vorcarização' da política brasileira

No evento, Salles usava uma camiseta com a frase “Fora Lula” e carregava um boneco de pano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

20/07/2026 às 11h20
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Reprodução: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Durante o 10º Encontro Nacional do Partido Novo, realizado no sábado (18) em São Paulo, o deputado federal e pré-candidato ao Senado Ricardo Salles desferiu duras críticas aos opositores e rotulou as ministras e concorrentes Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como "forasteiras".

No evento, Salles usava uma camiseta com a frase "Fora Lula" e carregava um boneco de pano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele direcionou duras críticas contra o governo petista, o bloco do Centrão e setores do próprio espectro conservador. O encontro partidário reuniu cúpulas estaduais e postulantes a cargos eletivos para alinhar as táticas de campanha rumo ao pleito de 2026. Em sua fala, Salles enfatizou que o foco central de seu grupo é desbancar o atual mandatário:

"Nós temos a convicção de combater a esquerda, cuja figura principal deletéria o exemplo mais pernicioso e vergonhoso para todos nós, esse filho da puta aqui [Lula]. E nós temos que ter clara a nossa missão: fora Lula".

Alvos na disputa paulista

Mirando a corrida eleitoral pelas cadeiras senatoriais por São Paulo, o deputado disparou contra Marina Silva e Simone Tebet, acusando-as de buscarem o sufrágio no território paulista amparadas pela esquerda local e pela chamada "esquerda caviar". Referiu-se à ministra do Meio Ambiente como uma “tartaruga fugida do Acre” e qualificou a titular de Planejamento e Orçamento como “a mãe do desastre econômico”, reforçando a pecha de forasteiras por serem naturais de outros estados.

"Elas vieram para o estado de São Paulo tentar se eleger graças à esquerda que domina a região central e à 'esquerda caviar', que infelizmente no estado de São Paulo é muito grande."

Restrições ao Centrão e ao PL

O discurso também sobrou para o Centrão, bloco parlamentar ao qual imputou o aprofundamento da corrupção transversal nos diferentes governos, sustentando que tal articulação provocou um processo de deterioração da administração pública nacional. Na sequência, Salles direcionou sua artilharia ao Partido Liberal (PL) e ao cacique da legenda, Valdemar Costa Neto, lamentando que o agrupamento não tenha passado pelas transformações esperadas por sua base e continue sob a égide do Centrão.

Os ataques atingiram nominalmente o chefe do Poder Legislativo estadual, André do Prado (PL), também cotado para a disputa ao Senado. Salles o definiu como um reflexo direto das práticas tradicionais de barganha:

"O André do Prado é o filhote do Valdemar da Costa Neto, o pupilo do Valdemar da Costa Neto, a figura que representa pronto e acabada todos os malefícios a ausência de postura ideológica de princípios de valores que o Centrão representa".

Para fundamentar as críticas, o deputado recordou o histórico de alianças do adversário paulista ao longo dos anos:

"O André do Prado é o cara que apoiou o Márcio França como governador, apoiou a Dilma em 2010, apoiou o Mercadante, era o líder da base do João Doria na Assembleia Legislativa quando houve o 'fecha tudo', e depois se juntou com o PT para ser presidente da Assembleia".

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários