
O brilho do palco, a entrega diante das câmeras e a exposição constante nas redes sociais. Para muitas mulheres artistas, a arte é profissão, terapia e identidade. Mas, por trás dos holofotes, existe uma realidade cada vez mais debatida: a ansiedade e a depressão.
Segundo Dra. Elaine Moreira, a sensibilidade que torna uma artista única também pode aumentar sua vulnerabilidade aos transtornos mentais.
“A artista vive de se expor. Ela transforma emoção em trabalho. Isso exige vulnerabilidade constante. E, para as mulheres, que já carregam cobranças estéticas, financeiras e familiares, esse peso se torna ainda maior”, explica a especialista.
Quando o sucesso não blinda da dor
Nos últimos anos, grandes nomes da música e da televisão falaram abertamente sobre saúde mental e contribuíram para quebrar o tabu.
Cantoras como Anitta e Adele já relataram publicamente crises de ansiedade e ataques de pânico provocados pela pressão da carreira. A atriz e cantora Selena Gomez revelou sua luta contra a ansiedade e a depressão associadas ao lúpus. Já Billie Eilish contou que a fama precoce trouxe isolamento e dificuldades emocionais. No Brasil, artistas como IZA e Marina Sena também abordaram o tema em entrevistas e nas redes sociais.
“Ver mulheres de sucesso dizendo ‘eu não estou bem’ dá permissão para que milhares de outras mulheres também reconheçam o próprio sofrimento. Isso humaniza a arte”, analisa Dra. Elaine Moreira.
Por que artistas mulheres sofrem mais?
A psiquiatra destaca três fatores que contribuem para aumentar a vulnerabilidade emocional dessas profissionais:
Insegurança e comparação: a exposição permanente nas redes sociais, a pressão dos haters e a comparação constante com outras artistas.
Instabilidade profissional: renda variável, ausência de uma rotina previsível e a exigência de estar sempre produzindo e se reinventando.
O corpo como ferramenta de trabalho: para cantoras, atrizes, modelos e bailarinas, a imagem faz parte da profissão, aumentando a cobrança estética e o medo do julgamento.
“Temos visto muitas artistas jovens chegando ao consultório com crises de ansiedade, insônia e síndrome do pânico. Elas relatam o medo constante de não serem suficientes, mesmo tendo milhões de seguidores”, conclui a médica