
A administração estadunidense oficializou a entrega do chamado green card ao ex-parlamentar federal Eduardo Bolsonaro (PL). O visto de residência fixa assegura ao político, bem como à sua esposa e aos seus herdeiros, o direito de residir, exercer atividades laborais e cursar estudos em solo norte-americano por prazo ilimitado. Na prática, a nova condição migratória confere quase todas as prerrogativas de um cidadão nativo, ressalvadas restrições como a emissão de passaporte local e a participação em eleições. Morando no exterior desde os primeiros meses de 2025, o ex-deputado já acumula cerca de dezoito meses de vivência nos Estados Unidos.
Com a obtenção do documento, o político desvincula-se da necessidade de vistos provisórios. Entre as facilidades conquistadas destacam-se a liberdade de moradia e de atuação profissional desvinculada de empregadores específicos, livre acesso acadêmico, trânsito facilitado nas fronteiras, prerrogativa de estender o benefício a parentes diretos, acesso a redes de seguridade social mediante requisitos legais e a perspectiva futura de pledir a naturalização.
Por outro lado, o visto permanente traz exigências severas: a obrigatoriedade de portar passaporte de origem brasileira, o cumprimento de declarações tributárias perante a fiscalização e o risco de revogação caso o portador cometa determinados delitos ou ausente-se do país por períodos excessivos. A liberação do documento foi veiculada inicialmente pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo portal Metrópoles, enquanto o comentarista Paulo Figueiredo pontuou que o trâmite tramitava havia mais de doze meses.
A formalização do benefício migratório coincide com o acirramento das divergências diplomáticas entre Brasília e Washington, desdobrando-se logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) impor ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) uma condenação de quatro anos e dois meses de reclusão. A Primeira Turma da Corte máxima o considerou culpado por coação continuada praticada em nove episódios, determinando ainda a perda do distintivo de escrivão da Polícia Federal e a inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena.
A acusação formulada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o ex-deputado utilizou seu espaço no exterior para pressionar autoridades norte-americanas a imporem sanções econômicas ao Brasil, tentando interferir nos processos judiciais que envolveram seu pai. Diante da nova chancela de residente e do respaldo político de Donald Trump, juristas e ministros do STF já avaliavam como remota a chance de extradição, um cenário que agora se torna ainda mais improvável. A aquisição do green card serve, historicamente, como a principal antesala para a obtenção definitiva da cidadania americana, cujo pedido costuma ser liberado após a comprovação de permanência legal contínua.