“A Odisseia”: Christopher Nolan impressiona os olhos, mas não alcança o coração

Com domínio técnico, orçamento milionário e elenco estelar, o cineasta entrega uma adaptação fria, porém monumental

21/07/2026 às 14h55 Atualizada em 03/08/2026 às 23h13
Por: Flávio Melo
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Foto: Divulgação
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Poucos cineastas entendem tão bem o poder da imagem como Christopher Nolan. Em "A Odisseia", já em cartaz nos cinemas, ele transforma o poema de Homero, um dos mais importantes da literatura ocidental, em um espetáculo autoral de 250 milhões de dólares.

Os efeitos visuais impressionam sem parecer um exercício de vaidade, o desenho de som é avassalador e a trilha de Ludwig Göransson, vencedor do Oscar por "Oppenheimer", também dirigido por Nolan, assume um papel tão visceral que, em muitos momentos, conduz com maestria cada passo da jornada.

Aqui, o diretor britânico continua obcecado pela técnica. E isso é, ao mesmo tempo, sua maior virtude e sua principal limitação. É difícil encontrar um cineasta que domine tão bem a linguagem da sétima arte e, ainda assim, não consiga acrescentar mais calor humano aos seus diálogos, tornando-os quase mecânicos. E assim é seu mais novo trabalho: impecável na forma, mas com as emoções, por vezes, à deriva.

Contudo, o elenco encontra espaço para voar. Matt Damon interpreta um Odisseu sóbrio, convincente e carregado pelo peso de quem já viu a guerra de perto. Tom Holland faz de Telêmaco um jovem que amadurece diante de nossos olhos e encontra alguns momentos de sensibilidade que ajudam a aproximar o público de seu personagem. Anne Hathaway é quem melhor rompe a frieza característica do universo de Nolan. Sua Penélope concentra a carga emocional do filme e transforma cada silêncio em algo profundamente inquietante.

Robert Pattinson confirma, mais uma vez, a versatilidade que vem demonstrando nos últimos anos. Seu Antínoo desperta interesse desde a primeira aparição e, justamente por isso, deixa a sensação de que merecia mais tempo para desenvolver suas camadas. Já Samantha Morton compõe uma Circe tão misteriosa quanto elegante.

Mas é no desfecho que "A Odisseia" revela sua maior beleza. Nolan entende que voltar para casa nunca significou apenas atravessar o mar. O herói que vence monstros e tempestades é derrotado pelo tempo, que transforma seu legado apenas em lembranças.

Assim como em "Oppenheimer", coroado pela Academia como Melhor Filme de 2023, o diretor volta a refletir sobre homens que acreditam salvar o mundo por meio de feitos que também podem destruí-los.

 

A ODISSEIA (THE ODYSSEY) | DIR.: CHRISTOPHER NOLAN | EUA | 2026

NOTA: 7,5

Imagem: Divulgação 

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Flávio Melo
Sobre o blog/coluna
Flávio Melo Jornalista - MTB 87099/SP

Formado pela Cásper Líbero, é crítico especializado em TV, cinema, streaming e música, além de cronista, criador de conteúdo, podcaster e pesquisador de teledramaturgia.
É um dos idealizadores, apresentadores e roteirista do "Pod tudo e + um pouco!", canal de entrevistas no YouTube com mais de 90 mil inscritos.

Sua coluna no Instagram (@colunaflaviomelo), dedicada à análise de produções audiovisuais, reúne mais de 80 mil seguidores.
Já participou, como convidado, do "Link podcast" (Record Digital), comentando reality shows, e do extinto "Tarde top" (Rede Brasil).

Atualmente, é colunista e redator do Portal e Canal Felipeh Campos e comentarista de cultura, entretenimento e celebridades nos programas "Papo em dia" (Rede Brasil) e "Altos papos" (Rádio Capital), apresentado por Nani Venâncio.

"Ao longo da minha trajetória como comunicador, realizei mais de 100 entrevistas com personalidades de diferentes áreas."
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