
A Globo definiu uma regra clara antes de autorizar a produção do remake de "Pantanal", exibido em 2022. A revelação aparece no livro "Metamorfose", do jornalista Ernesto Rodrigues, que reúne bastidores inéditos da emissora e mostra como a adaptação da novela precisou seguir uma diretriz estabelecida pela alta cúpula da empresa.
Segundo a obra, durante uma reunião realizada em 2021, Amauri Soares, então recém-nomeado diretor da TV Globo, determinou que a nova versão não repetiria o erotismo que marcou a novela original da extinta TV Manchete. A proposta, segundo ele, era reforçar a imagem da emissora como um ambiente voltado para toda a família. "Não podemos ter nenhuma cena erótica ou romântica que constranja a família. Pantanal é o grande momento nosso de conexão com a sociedade, depois da pandemia. E o lugar da TV Globo é no centro da sala, não é no telefoninho celular no quartinho escuro", afirmou.
Após o enorme sucesso da novela, Amauri voltou a comentar a decisão e explicou quais foram os limites definidos para a produção. "A 'Pantanal' da Manchete era exibida num horário mais tarde. No nosso caso, decidimos que não íamos mostrar seios, que não haveria movimentos mecânicos de coito e que não teríamos corpos desnudos nem na contraluz. O meu papel, como exibidor, era apresentar o problema. Quem tinha de encontrar a solução era o autor", declarou.
Diante da orientação da emissora, coube ao autor Bruno Luperi encontrar alternativas para preservar a essência da obra criada por Benedito Ruy Barbosa sem recorrer às cenas de nudez e erotismo que marcaram a versão exibida pela Manchete. Mesmo com as mudanças, o remake se tornou um dos maiores sucessos recentes da dramaturgia da Globo.