
Logo após a repercussão da conquista do green card por parte do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL), o postulante ao Palácio do Planalto Ronaldo Caiado (PSD) ironizou o episódio ao declarar que a autorização migratória norte-americana deveria servir a propósitos coletivos. Na última terça-feira (21), o ex-chefe do Executivo goiano fez referências implícitas às barreiras alfandegárias adotadas pela gestão de Donald Trump contra mercadorias nacionais, defendendo a priorização do setor agropecuário brasileiro.
A obtenção da residência permanente nos EUA por Eduardo surge em um momento delicado nas relações bilaterais, marcado pelo avanço de taxas protecionistas e por ataques verbais do secretário de Estado americano, Marco Rubio, direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sob a acusação de priorizar vaidades pessoais em detrimento de acordos comerciais.
Essa investida de Caiado integra sua estratégia de oposição ao campo bolsonarista, rivalizando diretamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial deste ano.
Em suas plataformas digitais, Caiado alfinetou:
"Green card, quem precisa é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano sem pagar pedágio. Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar!"
A resposta de Eduardo não tardou. Através da internet, o herdeiro de Jair Bolsonaro revidou mencionando o ex-aliado:
"Green card quem precisa são os fazendeiros condenados no golpe da Disney, que o senhor não fala nada. É o preço que o senhor paga para participar dos coquetéis do STF e elite de Brasília?".
Posteriormente, o político goiano voltou a usar o humor ácido para responder ao rival:
"A diferença é que o Pateta da Disney é atrapalhado, mas bem-intencionado e inofensivo. Já o da política brasileira tropeça nos Estados Unidos, e a queda pode custar caro ao Brasil, atingindo a indústria, as exportações e os empregos!".
O visto permanente garante ao ex-deputado residir nos Estados Unidos por prazo ilimitado, dispensando burocracias para exercer atividades laborais ou acadêmicas. O furo jornalístico a respeito da emissão do documento foi veiculado inicialmente pelo jornal Folha de S. Paulo e validado na sequência por O GLOBO.
O ex-parlamentar encontrava-se fora do país desde fevereiro do ano passado, tendo ingressado na América do Norte com credenciais turísticas que estipulavam estada provisória de meio ano, período em que justificava sua permanência citando supostos episódios de perseguição jurídica no Brasil.