
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (22), que o governo brasileiro nunca encontrou reciprocidade nas negociações com os Estados Unidos sobre o tarifaço de 25% imposto às exportações nacionais. Durante coletiva sobre a nova etapa do Plano Brasil Soberano, Lula garantiu que o Brasil continuará aberto ao diálogo, mas descartou qualquer possibilidade de submissão às decisões do governo norte-americano.
Segundo o presidente, diferentes integrantes do governo tentaram negociar diretamente com representantes dos Estados Unidos ao longo dos últimos meses, sem sucesso. "Nós estamos na mesa de negociação, propusemos a mesa de negociação, já mandamos vários documentos e várias propostas de negociação. Eu, pessoalmente, fui aos EUA, ficamos 3 horas discutindo negociação. [...] A gente nunca encontrou reciprocidade na conversa", afirmou.
Lula também declarou que o Brasil permanecerá negociando, independentemente da postura adotada pelos norte-americanos. "Se quiserem participar, participe. Se quiserem mandar e-mail, mandar tweet, que mande. Nós vamos estar na mesa de negociação com as nossas propostas para tudo. Não tem veto de negociação", disse.
O presidente ainda afirmou que o governo pretende ampliar a busca por novos compradores para minimizar os impactos das tarifas. "Nós não vamos ficar chorando o produto que a gente não vendeu para eles porque nós vamos procurar outros compradores", declarou.
Como resposta ao cenário, o governo anunciou uma nova fase do Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas pelo tarifaço e por outros conflitos comerciais internacionais. As taxas de juros das operações variam entre 3% e 9,80%, e um comitê será responsável por definir as condições de acesso aos recursos.
As tarifas foram anunciadas pelos Estados Unidos após investigação do Escritório do Representante de Comércio (USTR), que apontou supostas práticas comerciais consideradas irregulares. Apesar da medida, alguns produtos brasileiros considerados estratégicos para o mercado norte-americano, como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja, ficaram fora da nova cobrança.